Dilma recebe título e ataca Temer: ‘Parasita implacável’

    Presidente afastada se disse honrada em ser cidadã baiana, elogiou parlamentares e eleitores do estado, mas usou AL-BA como palanque de campanha contra o “golpe”

    Foto: Edson Ruiz / Coofiav

    Homenageada com o título de cidadã baiana, concedido pelo líder do PT na Assembleia Legislativa, Rosemberg Pinto, nesta quinta-feira (16), a presidente afastada Dilma Rousseff se disse “honrada” com o prêmio e “orgulhosa” com as contribuições que deu ao estado, mas, após exaltar o povo baiano e a sua própria gestão, partiu para o ataque contra o presidente interino Michel Temer (PMDB), vice em sua chapa em 2010 e 2014.

    Ela voltou a falar que é vítima de um “golpe”, ao pontuar que, embora tenha sido afastada com base nas regras da Constituição, a Carta Magna impõe crime de responsabilidade como condicionante, fato negado pela sua defesa jurídica. “São parasitas implacáveis que querem tirar a sua sede nas instituições brasileiras. Tentam sugar a nossa árvore da democracia. Não vamos deixar que esses parasitas matem a nossa árvore”, atacou a mandatária afastada e arrancou aplausos e gritos de “volta querida” da plateia aliada.

    “Governo interino não pode desmontar o país e fazer o país voltar para trás. Esse governo não terá legitimidade para propor soluções, quando sequer debate e conversa com os movimentos sociais. Ele não poderá mapear o caminho para sair da crise”, disse Dilma, ao falar dos cortes propostos pelo peemedebista. Ela ressaltou entre as medidas o projeto que altera a lei do pré-sal e concede o direito de exploração por companhias estrangeiras, relatado pelo deputado baiano José Carlos Aleluia (DEM). “A cadeia do petróleo e gás que, aliás, na Bahia é muito importante”, completou.

    Dilma agradeceu aos deputados federais e senadores baianos contrários ao impeachment do seu mandato e ao povo baiano, que lhe concedeu “boa parte dos 54,5 milhões de votos” que a elegeram. Exaltou a Bahia como terra de “energia positiva” com “tremenda força de vida” para enfrentar os desafios políticos. “Aprendi que a Bahia é uma terra aguerrida, marcada por uma história de luta, como o 2 de Julho. O povo aqui saberá lutar pelo restabelecimento da democracia”, afirmou.

    Em seu discurso, a petista destacou ainda o fato de o estado ser “o maior país negro fora da África” e símbolo das políticas que pretendem “superar as desigualdades”, “combater o racismo” e “defender as conquistas sociais da sua população”. Disse formar uma “parceria republicana” com o ex-governador Jaques Wagner e o atual, Rui Costa, ao enumerar as obras realizadas no estado, a exemplo do metrô – “era um grande desafio” – e da Via Expressa, em que novamente confundiu o nome da Rótula do Abacaxi: “Tenho problemas com nomes de vegetais”.

    Falou também sobre os programas sociais do seu governo como o Mais Médicos, o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família, classificado por ela como “política de transferência de renda, sobretudo para as crianças, que são a base da família”.