Dilma vê tentativa de livrar Cunha após fatiamento de processo

    Em entrevista a jornalistas estrangeiros, nesta sexta-feira, ex-presidente acusou adversários de aprofundar crise política para criar clima propício ao impeachment

    Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

    A ex-presidente da República Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (2) que há uma tentativa de usar a sua absolvição para ocupar cargos públicos para livrar também o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que enfrenta um julgamento por quebra de decoro na Câmara.

    “Por que será que, de repente, quando está sendo votada a questão da minha inabilitação política no Senado, o nome de Cunha vem a público, sendo que até as emas do Alvorada sabem que a lei para mim é uma e para os deputados e senadores é outra?”, questionou Dilma durante entrevista para jornalistas estrangeiros no Palácio do Alvorada.

    “Está por trás disso uma tentativa de introduzir no espaço político a ideia de que, já que me absolveram disso, terão de absolver também o Cunha. Não mesmo. Isso não”, afirmou enfaticamente.

    Dilma ainda voltou a apontar as suspeitas contra Cunha e dizer que são diferentes, já que ela não é acusada de possuir contas no exterior e nem de receber propina. “No entanto, eu sou julgada e ele não. A própria imprensa noticia que há uma pressão enorme para ele não ser julgado, pois, caso contrário, ele pode colocar não só o presidente (Michel Temer) em questão, mas toda sua entourage”, afirmou.

    A presidente cassada acusou adversários de aprofundar a crise política para garantir o ambiente de impeachment. A situação, para ela, piorou ainda mais a situação econômica do país. “O que tinha de problema no Brasil logo no início de 2015 era fácil de ser corrigido. Se não se tivesse aprofundado a crise, como cuidaram de aprofundar para garantir esse ambiente de impeachment, o Brasil já teria saído da crise”, falou.

    ‘Fragilidade’ – A petista afirmou ainda que o processo de impeachment que a tirou do poder, não existindo um crime de responsabilidade, “tem uma imensa fragilidade jurídica”.

    Ela voltou a explicar as argumentações técnicas de sua defesa, afirmando que outros presidentes já haviam editado decretos de crédito suplementar idênticos aos dela e que o Ministério Público Federal (MPF) deixou claro que a presidente não tem participação na execução do Plano Safra.