Dinheiro de campanha: a opção foi do tipo ‘dos males, o menor’

    Frase da vez

    “Noventa por cento dos políticos dão aos 10% restantes uma péssima reputação”
    Henry Kissinger, alemão ex-secretário de Estado dos EUA (1923).

    Foto: Robson Mendes / SECOM-PMS
    Foto: Robson Mendes / SECOM-PMS

     

    Se sempre se disse nos meios políticos que quando se fala em reforma política a coisa empaca porque cada um tem a sua. A tentativa deste ano carimbou a tese. Nada, se não nadica, quase nada. Só num ponto mudou, o din-din.

    As torneiras que jorravam das empreiteiras foram detonadas pela Lava Jato, o povo, que está habituado a tomar dinheiro de político, e não de dá, obviamente não topou virar o jogo no ano passado. Não deu a proposta dos R$ 3,6 bilhões e nem a volta do financiamento empresarial. A saída foi emergencial, no apagar das luzes.

    Se vingar, fo menos mal essa dos partidos pagar a campanha com o dinheiro dos horários na televisão, algo em torno de R$ 1,7 bilhão. Dois aspectos principais a pontuar:

    1 — Ficou claro para a sociedade que quem paga a conta da tevê dos políticos somos nós e ela é cara. A sociedade paga para estar em casa e de repente ver um ilustre desconhecido que foi no cartório e legalizou um partido pregando a salvação do Brasil, discurso meramente marqueteiro, fabricado. Talvez isso contribua para melhorar a qualidade do voto, facilitar o contato direto com o eleitor. E derrubar a falácia de que o povo não sabe votar. Sabe, sim. Apenas é ludibriado, vítima dessa propaganda enganosa.

    2 — Fazer campanha é caro, o Brasil imenso, só a Bahia quase do tamanho da França. Como um candidato a presidente, governador ou deputado pode ir e vir e dizer a que veio sem dinheiro? Não há mágica. Quando fluía das empresas, apodreceu o jogo político no Brasil. Tirar mais do bolso do povo seria algo nem imoral, mas amoral. Pelo menos tiraram de um lugar para outro.

    Lógico que não foram essas as intenções dos políticos. Mas, bom ressalvar, foi uma saída de emergência, forçada pelo efeito Lava Jato.

    Custo federal

    Em Brasília avalia-se que o custo de uma campanha competitiva para deputado federal, na Bahia, é alto: R$ 3 milhões para quem tem mandato, R$ 6 milhões para quem não tem.