Dino nega conversa sobre 2022 com Rui e diz que Bolsonaro tem ‘método’

    Governador do Maranhão afirmou que debate sobre sucessão presidencial é “antecipado pelo vazio que o governo federal deixa”

    Foto: Matheus Morais/bahia.ba

    Classificado como “o pior” dos “governadores de paraíba” pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), o chefe do Executivo maranhense, Flávio Dino (PCdoB), criticou nesta segunda-feira (29) a “continuidade de um método de conflitos e agressões”, ao comentar a declaração do chefe do Palácio do Planalto sobre o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.

    “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”, disse Bolsonaro.

    “O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco, e veio a desaparecer no Rio de Janeiro”, completou o presidente.

    “O que nós fazemos permanentemente no plano político é reiterar que o presente meça melhor a sua atitude. Agora mesmo, no curso dessa reunião, houve um ato absolutamente condenável, execrável, por parte do presidente da República em relação ao presidente da OAB”, declarou Dino, ao deixar encontro do Consórcio Nordeste, em Salvador.

    Ainda sobre o episódio dos “governadores de Paraíba”, o comunista afirmou que a declaração de Bolsonaro desrespeita dois artigos da Constituição.

    “De um lado, o preconceito regional viola o artigo 19, que diz que é vedado às autoridades criar discriminações e preferências entre os brasileiros. E no caso de determinar tratamento de proibição, vedação a destinação de projetos – não sei bem ao que ele se referia – há uma violação ao artigo 37, que cuida do princípio da impessoalidade”, detalhou.

    Especulado como candidato a presidente da República em 2022, Dino afirmou que o assunto “não está em pauta” e negou qualquer conversa sobre o tema com o governador Rui Costa (PT), também apontado como possível postulante ao cargo.

    Para o governador maranhense, tal debate é “antecipado pelo vazio que o governo federal deixa”. “Temos um mandato presidencial que mal começou e parece que já vai acabar”, disse.