Publicado em 01/06/2026 às 10h47.

Durigan rebate investigações dos EUA e vê caráter político em ameaça de tarifas

Ministro da Fazenda classifica pressão do governo Trump como 'inaceitável'

Pevê Araújo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (1º), que investigações dos Estados Unidos que podem impor novas tarifas comerciais ao Brasil têm caráter muito mais político do que técnico.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, na CBN, Durigan reforçou a importância da utilização de argumentos sólidos para responder o governo do presidente Donald Trump.

“É inaceitável que a gente receba esse tipo de pressão, de intimidação, perto do período eleitoral, a pretexto de dizer que está se preocupando com o Brasil ou com a rigidez do nosso comércio. Porque quem está, de fato, preocupado somos nós mesmos com isso”, disse.

Ele apontou ainda que os argumentos utilizados pelo EUA contra a 25 de março, o Pix e o desmatamento brasileiro não se sustentam.

“Ela tem um caráter político muito mais do que técnico, a sessão 301. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes”, continuou.

Os relatórios dos EUA sobre as supostas “práticas desleais” de comércio devem ser publicados nos próximos dias.

O ministro da Fazenda de Lula apontou também que a família Bolsonaro, liderada nos EUA pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, trabalhou para categorizar facções criminosas que atuam no Brasil como terroristas com o objetivo de atrapalhar o governo.

“São argumentos muito forçados, muito errados do ponto de vista do governo norte-americano. Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil, terror social, um terror de disrupção dos serviços públicos muitas vezes no país, mas que não tem a característica de montar ataque nos EUA, ferir a soberania dos EUA, uma forçação de barra sem fim”, completou.

Pensando no futuro, Durigan prometeu trabalhar para que possíveis decisões de Donald Trump contra o Brasil não tenham impacto econômico no país.

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