E a seca está ficando perene? Os indicadores apontam esse caminho

    Fátima Nunes (PT), deputada estadual, profunda conhecedora do espaço e da alma do sertão baiano, traça um cenário desalentador da atual situação do semiárido

    Frase da vez

    “Nas patas do meu cavalo, galopei no meu sertão, vi a seca, vi a fome, lobisomem e assombração, Riacho virou caminho, graveto virou tição”

    Alceu Valença, música ‘A seca’

    (Foto: Agência Brasil).
    (Foto: Agência Brasil).

     

    Ano passado, a Nasa e outras quatro agências mundiais apontaram: 2015 foi o ano mais quente já registrado. Piorou. Semana passada, a própria Nasa apontou 2016 como recordista.

    Fátima Nunes (PT), deputada estadual, profunda conhecedora do espaço e da alma do sertão baiano, traça um cenário desalentador da atual situação do semiárido:

    — Antigamente tínhamos seca de seis em seis anos, às vezes de oito. Agora, a seca começou em 2013 e se instalou. As chuvas que vieram foram pouquíssimas.

    Ela conta que as barragens que abastecem o sertão, à exceção da de Canudos que armazena grande volume de água, estão quase secas.

    — Em breve os carros-pipa terão que ir buscar água no São Francisco. São anos seguidos de redução dos índices de pluviosidade.

    Sem êxodo

    As secas de hoje, diz Fátima, não são como as de antigamente, quando era comum ver o sertanejo caminhar quilômetros com a lata d’água na cabeça ou montar num pau de arara e ir embora.

    — Nos governos de Lula e Dilma,foram colocadas no sertão 1,3 milhão de cisternas. E os pequenos produtores aprenderam a fazer silos para guardar a palha. Isso ajudou muito. Tem 13 anos que não registramos êxodos.

    Emergência

    É, mas para abastecer as cisternas, as prefeituras desembolsam dinheiro para bancar os carros-pipa, que cada vez mais buscam água à distância maior.

    Hoje, na Bahia, 81 municípios estão em estado de emergência, mas vários outros já pediram o reconhecimento.

    A emergência dá direito ao prefeito de relocar dinheiro para enfrentar o flagelo.

    Pedindo paciência

    Eleito prefeito de Alagoinhas, o médico Joaquim Neto (DEM) está pedindo ao povo 100 dias de paciência. Ele vai herdar do prefeito Paulo Cézar (PDT) uma herança ruim e uma boa.

    A ruim: só a dívida do SAAE de energia com a Coelba chega a R$ 5,5 milhões.

    A boa: os US$ 11,5 milhões tomados de empréstimo na Cooperação Andina de Fomento (CAF), que há mais de dois anos Paulo Cézar tentou viabilizar, vão cair em seu colo de mão beijada.

    Nos “anos Paulo Cézar”, Alagoinhas foi um dos municípios que mais cresceu na Bahia, segundo o próprio, graças à política de incentivos à instalação de indústrias.

    Segundo Joaquim, Paulo Cézar, um prefeito bem avaliado, veio bem até a eleição. A partir daí, destrambelhou.

    — É para olhar esses cenários com tranquilidade que peço os 100 dias de paciência.

    O bicho no jogo

    Líder maior de Olindina, o deputado Aderbal Caldas (PP) saiu das eleições deste ano escaldado com o financiamento de campanhas.

    Apoiou o irmão, Wanderley Caldas (PP), que derrotou a prefeita Bianca Menezes (PMDB). Ocorre que ela tinha como vice Ezenilton de Souza, o Lagartixa (PMDB), que é um dos chefes do jogo do bicho na região.

    — Sou contra o financiamento público de campanhas. Mas acho que nem dinheiro público e nem clandestino.

    Epigrama do Ricardo

    O ministro Ricardo Barros, que não é da área da saúde e tampouco preza pela modéstia, foi literalmente descartado pelo prefeito ACM Neto por não ter atendido os pleitos de Salvador, na área da caótica saúde pública. O prefeito mandou avisá-lo que não viesse à cidade, pois não seria recebido.

    E Antônio Lins mandou-lhe o epigrama:

    É ministro nomeado

    Por ter tido um bom padrinho,

    Mas, pode ser defenestrado

    Se insistir no mau caminho

    Duas malhas

    De um conhecido deputado federal, governista, sobre o projeto que pretende repatriar o dinheiro de quem driblou o Fisco e fez depósitos (vultosos, óbvios) no exterior:

    — Para nós, tem a malha fina quando tentamos driblar o Leão da Receita. Para eles, malha grossa. Até nisso pobre leva a pior.

    Jabá pirata

    O jabaculê, ou jabá, grana que os artistas pagam a alguns do rádio para badalar suas músicas, invadiu a pirataria.

    Ou seja, tem artistas pagando a “pirateadores” de CDs para serem pirateados.

    A razão: eles acham que o comércio pirata é uma poderosa forma de divulgação.

    Ciência exata

    A matemática da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) que o governo realiza no prédio 3 do Senai Cimatec apresenta números curiosos: custou R$ 370 mil, inclusos R$ 100 mil passados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

    A curiosidade é que o mesmo evento em 2014, no Shopping Salvador, custou R$ 1,4 milhão. Em 2015 caiu para R$ 615 mil e agora é 45% mais barato que o ano anterior.

    Público

    Braskem, Coelba, BNB, Sebrae e Bahiagás também estão apoiando. A fluência de público é grande. Em 2015, foram lá 15 mil pessoas em quatro dias. Ontem, já registrava 13 mil visitantes. A Semana termina hoje.

    A segunda vez

    Autor de várias obras na área jurídica, Raymundo Pinto, desembargador aposentado do TRT, tomou gosto pela ficção.

    Após o romance Orfandade de um ideal, terça (17h), ele lança na Livraria LDM do Shopping Paseo (Itaigara), pela primeira vez, livro de contos, com prefácio de Joaci Góes e ilustrações de Ângelo Roberto.