E o Brasil das redes sociais planta as bases para iniciar a era do ódio

    Vai ser salve-se quem puder. Que vai deixar pesadas sequelas

    Frase da vez

    “Sentir raiva é vingar-se das falhas dos outros em si próprio”

    Alexander Pope, poeta britânico (1688-1744)

    Foto: Reprodução/Twitter/arquivo pessoal
    Foto: Reprodução/Twitter/arquivo pessoal

     

    Normalmente uma positivista, a jornalista Olívia Soares, a Olivinha, figura querida nas rodas do Clube Inglês e dos senadinhos do Shopping Barra, ao ser abordada sobre a possibilidade de um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, saiu dó sério:

    — Vai ser uma zorra! Estaremos no meio de um tiroteio político como os moradores de favela em tiroteio de traficantes. E vai ser tiro de alto calibre.

    Sintetiza o senso comum entre jornalistas e políticos sobre o que vem por aí.

    A gênese

    O PT que governou o Brasil por 13 anos e meio, com Lula e Dilma, surfa nos acertos do seu tempo e pena nos desatinos éticos que em 2016 levou multidões para as ruas, em nome do impeachment de Dilma, num ostensivo protesto contra a corrupção desenfreada.

    Temer assumiu, veio o escândalo de Joesley Batista detonando Aécio Neves, e por tabela, a moral dos tucanos, adversários históricos do PT. A maior parte dos seguidores de Bolsonaro é das viúvas do tucanato, que em toda a era Temer se encolheu das ruas, guardou as panelas dos panelaços e agora volta à cena com o nome de Jair Bolsonaro.

    Bolsonaro mais xinga do que discursa, mesmo assim satisfaz para enfrentar. O PT que tanto indignou a geração das redes sociais que bolsonarizou, tem os ingredientes para o império do ócio. Vai ser salve-se quem puder. Que vai deixar pesadas sequelas.