E Salvador vai aprendendo abraçar a todos, o branco mulato, o preto doutor

    "Já pensou se os brancos resolvessem fazer O Dia da Consciência Branca? Teríamos tumulto. O certo é mesmo a mulatice"; Cid Teixeira (historiador)

    Frase da vez

    “Cada idade tem a sua beleza e essa beleza deve sempre ser uma liberdade”

    Robert Brasillach, escritor francês (1909-1945).

    Foto: divulgação
    Foto: divulgação

     

    Faz 469 anos hoje que Thomé de Souza pisou nas terras de Catharina Paraguaçu e fundou a Cidade de São Salvador. Trouxe com ele como representante da Igreja na época em que a Santa Inquisição ainda valia forte, o padre Manoel da Nóbrega, que era ligth, manso, e nunca quis mandar ninguém para a cadeia ou fogueira.

    E foi dessa bondade republicana que começou a mistura de branco, negro e índio, hoje escancarada.

    Setores do movimento negro abominam a palavra mulata, que designa mestiça de branco com negro. Dizem que vem de mula, e aí vira depreciativo. Talvez sim. Mas muitos dos nossos vocábulos vem lá dos tempos coloniais, como principal, questão prioritária, vem do ‘é do príncipe’ e real que virou sinônimo de realidade, vem do rei.

    Dia da Consciência Mulata

    Cid Teixeira (foto), o historiador mais popular do nosso tempo, diz que o certo seria os baianos fazerem o Dia da Consciência Mulata. Lembra ele que o certo seria assumirmos a nossa mestiçagem sem recalques, como falou em entrevista a Claudio Leal e Roberto Albergaria em 2010:

    — A mulatice é rejeitada pelo branco e pelo negro. Havia aquele negócio de barriga suja, barriga limpa. Se o menino nascia branquinho, a mãe era barriga limpa. Já pensou se os brancos resolvessem fazer O Dia da Consciência Branca? Teríamos tumulto. O certo é mesmo a mulatice.

    Pois que seja como diz Cid, um mulato orgulho de si. Ou como diz Dorival Caymmi:

    A terra do branco mulato.

    A terra do preto doutor.

    Merece um parabéns.