E será que caminhamos para virarmos um Rio de Janeiro?

    E agora? O medo é trocar criminosos de colarinho branco, os homens do caixa 2, por bandidos comuns, traficantes e cia

    Frase da vez

    “Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de ilustre, de insigne, de formidável, qualquer borra-botas”
    Nelson Rodrigues, jornalista e dramaturgo (1912-1980).

    Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
    Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

     

    E R$ 1,7 bilhão vai dar para bancar a campanha? Em 2014, com 18 mil candidatos nos quatros cantos, se falou em R$ 20 bilhões. Um exagero bilionário, que medido em moeda, é sempre um exagerão.

    O Transparência Brasil deu um número mais calibrado, R$ 5,1 bilhões. Ressalva nossa: sem contar o Caixa 2, pelo qual dobrar a cifra é mínimo, triplicar o razoável.

    O ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, que na apreciação da proibição de doações empresariais, no STF, votou a favor de manter o esquemão de antes, agora levanta a voz mais uma vez para avisar:

    — O dinheiro é pouco. A questão do financiamento continua em aberto.

    Em boa parte das vezes o ministro Gilmar soa como ave agourenta, mas desta vez cantou certo. O modelo é o mesmo de 2014, com a diferença que a Lava Jato deletou as torneiras que jorravam fartas das empreiteiras.

    E agora? O medo é trocar criminosos de colarinho branco, os homens do caixa 2, por bandidos comuns, traficantes e cia.

    O senador Otto Alencar (PSD) é taxativo:

    — No Rio de Janeiro já é assim.

    Pobre Rio. Está sempre está na vanguarda de bandidagem de todos os naipes. A sensatez manda que o Brasil seja capaz de tirar o Rio dessa. Mas há o risco do inverso, de nos tornarmos um grande Rio. A sensação que temos é a de que só a criminalidade cresce.