Eis a questão: fechar os hospitais psiquiátricos ou mantê-los como são?

    Juliano Moreira, em Salvador, Lopes Rodrigues, em Feira de Santana, e Afrânio Peixoto, em Vitória da Conquista, estariam ameaçados de fechamento

    Frase da vez

    “A única diferença entre a loucura e a saúde mental é que a primeira é muito mais comum.”

    Millôr Fernandes, jornalista e humorista (1923-2012)

    Foto: Reprodução/ Blog "A loucura entre nós"
    Foto: Reprodução/ Blog “A loucura entre nós”

     

    A forma de tratamento de pessoas com transtornos mentais está de novo em pauta, segundo a deputada Fabíola Mansur (PSB), justo no momento em que o estresse gerado pela crise e fatos como o jogo Baleia Azul, estão em cena.

    O que se diz: a Sesab quer fechar os hospitais Juliano Moreira, em Salvador, Lopes Rodrigues, em Feira de Santana, e Afrânio Peixoto, em Vitória da Conquista, e com isso corre o risco de deixar os pacientes mais graves sem o apoio necessário.

    — Esse tipo de assistência sempre vai precisar existir. Não tem como.

    O secretário Fábio Vilas Boas (Saúde) diz que há uma comissão integrada por todos os segmentos para discutir a questão. O ponto chave é a implantação de enfermarias especializadas na rede hospitalar normal:

    — Ninguém está fazendo movimentos de forma irresponsável. Não vamos fechar hospital nenhum até que a Rede de Atenção Psicossocial esteja implantada. E quanto tempo vai demorar, também não sabemos.

    Ok. Mas o assunto pega fogo. Os ministérios públicos Federal e Estadual acompanham.

    A nova rede

    Diz o secretário Fábio Vilas Boas que a ideia de mudanças está centrada na reforma do atendimento psiquiátrico, que na Bahia está parada há mais de dez anos:

    — Eu tive a coragem de bulir nisso, apenas isso.

    O xis da questão é estruturar enfermarias especializadas na rede hospitalar convencional, a chamada Rede de Atendimento Psicossocial (Raps).

    Ele cita que, no modelo atual, muitas famílias abandonam os seus doentes nos hospitais. Disso resulta que o Juliano Moreira tem 49 moradores e a Colônia Lopes Rodrigues, em Feira, tem 98.

    Pretende-se formar as chamadas residências terapêuticas, quando a situação for regularizada.

    Essa é a questão: a deputada Fabíola Mansur diz que o medo generalizado é que isso acabe em desassistência.