Eliezer Varjão, o bom amigo que se foi, entre o sacro, o profano e o ético

    Bom jornalismo tem lado, é o da sociedade

    Jornalista e empresário Eliezer Varjão (Foto: Reprodução/Facebook)
    Jornalista e empresário Eliezer Varjão (Foto: Reprodução/Facebook)

     

    O jornalista Eliezer Varjão, com quem tivemos o prazer de compartilhar um pedaço da vida, profissional e pessoalmente, se vai daqui deixando muitas saudades.

    No profissional, como chefe de reportagem de A TARDE, juntos por mais de dez anos, sempre disposto a bancar bons assuntos, custasse o que custasse, levasse o tempo que fosse. Daí surgiu a bela série ‘Os órfãos do cacau’, relatando a tragédia da vassoura de bruxa na região cacaueira. Foram 33 dias de viagem e 14 páginas de jornal.

    Dessa vivência nasceu nossa irmandade, os cristãos pela contramão. Explicando: ele era admirador de bons vinhos, e nos lembrando que foi o primeiro milagre de Cristo, nas Bodas de Caná. Dizíamo-nos cristãos desde menininhos.

    Lições

    E daí fluíam boas conversas sobre as formas de acertar o rumo do bom jornalismo, quando veio a sábia lição: o jornalista deve ter a verdade como fundamento para ampliar as chances de acerto na questão essencial: o interesse público.

    — A verdade nem sempre convém ao interesse público. Exemplos: dizer que alguém acertou na Mega Sena. Qual é o interesse público disso? Chamar bandido para o ganhador; outra: dizer o passo a passo da polícia para desmontar um sequestro. Qual é o interesse público? Dar ferramentas para o bandido criar meios de driblar a polícia. Bom jornalismo tem lado, é o da sociedade.

    Que o cristão da contramão, vezes professor, sempre bom amigo, fique com Deus.