Elmar Nascimento com a palavra: ‘Distritão não passa. Eu não voto’

    Quem deveria achar os caminhos da saída, a representação política, também está atônita no tiroteio, não por buscar saídas, mas para salvar a própria pele

    Frase da vez

    “Procura limpar a vasilha antes de lançar nela seja o que for. Quer dizer, antes de pregar a virtude, reforma os teus costumes.”
    Epicteto, filósofo grego que passou a maior parte da vida como escravo, em Roma (55 d.C.-135 d.C.)

    Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
    Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

     

    O Brasil ainda está longe de tirar lições morais da Lava Jato, por todas as vertentes. A corrupção sedimentou-se como cultura. E apesar dos muitos presos notáveis, no baixo clero tudo caminha como dantes. Quem deveria achar os caminhos da saída, a representação política, também está atônita no tiroteio, não por buscar saídas, mas para salvar a própria pele.

    E como fazer para resolver a emergência, 2018?

    Uma certeza: acabou a era do dinheiro privado. Como fazer para construir uma reforma política que crie regras claramente democráticas e baratas? Não há consenso.

    De passagem por Salvador, em um relax no Forró da Assembleia, a caminho de Uauá, o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), membro da Comissão da Reforma Política, diz que está tudo como dantes, consenso zero, sobre o dinheiro para bancar as campanhas:

    — Estão falando em aumentar o Fundo Partidário de R$ 869 milhões para R$ 5 bilhões.

    E se a campanha de 2014, com 18 mil candidatos a deputados estadual e federal, senadores e governadores (sem contar presidente) o total das doações oficiais, sem contar o caixa 2, foi de R$ 20 bilhões, quatro vezes mais?

    — Não temos outra saída. O Distritão não passa. Eu, que tenho candidato a governador forte (ACM Neto), não tenho nenhum interesse em estilhaçar os partidos botando o embate como disputas individuais. Não voto.

    E daí, o que fazer?

    — Uma alternativa é ficar tudo como está com esse financiamento que falei acima. Mas lá nada tem consenso. O problema da reforma política é que todo mundo tem a sua fórmula.

    Aí que está. Esse modelo escancara as portas do submundo para o jogo político, com a presença de traficantes e afins. Esse é o risco, de sairmos de 2018 piorados.