Em 5 meses, Lula visitou 6 estados do Nordeste, sendo três vezes a Bahia

    Ao total, Lula fez 22 viagens de cunho oficial pelo Brasil

    Foto: Reprodução/ YouTube Lula

    Berço político e região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com folga nas eleições do ano passado – Lula teve 69,34% dos votos válidos na região, contra 30,66% de Bolsonaro no segundo turno -, desde que retornou ao comando do Palácio do Planalto para o seu terceiro mandato, o presidente tem priorizado viagens ao Nordeste. Conta ainda a seu favor ter aliados históricos no comando de governos de estados emblemáticos na região, que também triunfaram com percentuais altos no embate eleitoral.

    Conforme levantamento do Metrópoles, em pouco mais de cinco meses de governo, Lula fez 22 viagens de cunho oficial pelo Brasil. Dessas, oito foram ao Nordeste. No total, o presidente esteve em seis estados da região: Bahia, Ceará, Maranhão, Sergipe, Paraíba e Pernambuco.

    Com exceção de Bahia e Ceará, onde Lula esteve em duas oportunidades no Ceará e três na Bahia, o petista visitou os demais estados pelo menos uma vez desde janeiro.

    Veja as agendas que o petista teve no Nordeste nesta semana:

    Nesta semana, o presidente visitou dois estados do Nordeste: Bahia e Pernambuco. No estado baiano, ele participou, na última terça-feira (6), da Bahia Farm Show, maior feira agrícola tecnológica do Norte e do Nordeste

    Lula ainda visitou as instalações do Polo Automotivo de Goiana (PE)

    Ainda na terça-feira, Lula ainda visitou as instalações do Polo Automotivo de Goiana (PE)

    No local, o presidente cumprimentou os funcionários e posou para fotos

    Na quarta-feira (7), o presidente inaugurou o campus Paulista do Instituto Federal de Pernambuco

    Ao lado da ministra da Saúde, Nísia Trindade, Lula também retomou o programa Farmácia Popular durante agenda em Pernambuco

    No mesmo dia, ao lado da ministra da Saúde, Nísia Trindade, Lula também retomou o programa Farmácia Popular durante agenda em Pernambuco Ricardo Stuckert/PR

    Sudeste

    Apesar de ter viajado a mais estados do Nordeste, o presidente Lula concentra mais visitas ao Sudeste. De janeiro a junho, ele esteve na região 10 vezes, mas apenas em dois estados: São Paulo (8) e Rio de Janeiro (2).

    Ao longo dos últimos meses, o petista tem buscado ampliar o número de viagens pelo país, com o intuito de criar uma rotina de entregas de ações e obras federais em parceria com estados e municípios.

    Além da entrega de obras, Lula também tem retomado programas sociais que marcaram gestões petistas, como o Minha Casa, Minha Vida e o Farmácia Popular, bem como ações de incentivo à cultura, de socorro a indígenas e agendas institucionais.

    Norte, Sul e Centro-Oeste

    O Sul e o Centro-Oeste, de acordo com o Metrópole, foram preteridos por Lula nos primeiros cinco meses do ano. Ele esteve no Paraná e no Mato Grosso, ou seja, viajou a cada uma dessas regiões em apenas uma ocasião.

    Nessas duas regiões, o hoje ex-presidente Jair Bolsonaro contou com amplo apoio da população e do agronegócio.

    Em 2022, a região na qual Bolsonaro obteve seu melhor desempenho foi o Sul, com 61,84% dos votos válidos, em oposição aos 38,16% de Lula, no segundo turno de votação.

    Já no Centro-Oeste, Bolsonaro venceu com folga nas eleições passadas: obteve 60,21% dos votos válidos no segundo turno. Lula, com 39,79%, teve seu pior desempenho na região nos últimos 20 anos. Em 2002, contra José Serra, ele havia atingido 57,3% e, em 2006, ao enfrentar o seu atual vice, Geraldo Alckmin, 52,4%.

    Quando esteve no Norte, o presidente Lula visitou apenas o estado de Roraima, em duas ocasiões. Em ambas as idas ao estado, o petista acompanhou os trabalhos do governo federal e anunciou medidas de socorro à população Yanomami, que enfrentou uma crise sanitária nos últimos anos. Para o cientista político Leandro Gabiati, a presença de Lula no estado revela o intuito de criar um “contraponto” em relação à gestão de Jair Bolsonaro, investigada pelas mortes da população indígena da região.

    “Isso revela a relevância da questão indígena e das reservas vinculadas aos casos de vulnerabilidade que apareceram no início do ano. Lula tentou colocar a questão indígena em destaque, tentando fazer um contraponto ao governo Bolsonaro que, supostamente, teria incentivado a atividade ilegal de garimpeiros”, afirma o analista.