Em discurso na Câmara, Joice chora e é apoiada pela oposição

    “Nunca fui de me vitimizar, nunca. Mas foi a primeira vez que eu realmente me senti vítima do mais sujo machismo", afirmou deputada

    Foto: Agência Brasil

    Em discurso na tribuna da Câmara Federal nesta terça-feira (5), a deputada Joice Hasselmann (PSL), ex-líder do governo Bolsonaro, chorou ao relatar ataques virtuais que teriam chegado a parentes, de acordo com a Folha.

    “Nunca fui de me vitimizar, nunca. Mas foi a primeira vez que eu realmente me senti vítima do mais sujo machismo, do mais sujo machismo: encomenda de dossiês falsos, montagens. A minha família não vai passar por isso. Eu não vou permitir. Não tivessem mexido com a minha família, talvez eu até amenizasse, mas não o farei”, disse.

    Segundo a parlamentar, uma “gangue” promove um “um massacre público” contra ela no “submundo da internet”. Joice citou ainda a existência de uma “república do Twitter” e a “república da filhocracia”.

    “Mãe, por que estão chamando a sra. de porca na internet? Por que estão chamando a sra. de pig? Não foi a sra. que ajudou tanto esse governo?”, discursou a deputada, chorando.

    “Vou dizer a vocês que essas lágrimas não são por mim porque minha história é de uma guerreira, mas meu filho de 11 anos recebendo montagens minhas, com meu rosto e o corpo de uma prostituta, com o meu rosto e um corpo deformado nu, isso não vou admitir”, acrescentou.

    Após o seu discurso, deputados do PSL que se opõem à ala bolsonarista e até parlamentares da oposição se solidarizaram.

    A deputada Perpétua Almeida (PCdoB) defendeu que o Parlamento se una contra o que classificou como “cultura do ódio”.

    “Eu não posso aceitar que as mulheres sejam desrespeitadas na sua condição de mulher porque lutam, porque não aceitam as coisas do jeito que são”, disse.

    “É preciso um esforço conjunto de todo este Parlamento, de toda a sociedade. O presidente não contribui, porque a cada dia que ele abre a boca, é mais ódio”, completou.

    O deputado Orlando Silva (PCdoB), por sua vez, afirmou fazer parte do grupo “que crê que a política é o lugar do entendimento, do diálogo.”

    “O Brasil precisa romper esse ciclo em que a política não tem mais adversários, mas tem inimigos, gente a ser eliminada. É muito importante que a reflexão que V.Exa. fez da tribuna sirva para inspirar o combate à cultura do ódio, que não é da natureza do povo brasileiro”, declarou.