Em meio aos protestos de candomblecistas na manhã desta quinta-feira (10), durante assinatura de ordem de serviço das obras do Monte Santo nas dunas de Itapuã, em Salvador, o ex-prefeito ACM Neto (DEM) questionou o teor das manifestações e pregou diálogo.
“A gente vai saber se isso é política ou se isso é uma manifestação verdadeira e sincera de vocês. Se for política, vocês podem continuar batucando, se não for política, vamos conversar”, disse o pré-candidato ao governo da Bahia.
Em sua fala, Neto pediu silêncio para dar sequência aos discursos, ressaltou que seu grupo político é aberto ao diálogo e afirmou que o prefeito Bruno Reis (DEM) e a vice Ana Paula Matos (PDT) estão à disposição para ouvir as reivindicações após o evento.
“A gente faz as coisas com diálogo, durante anos eu governei essa cidade com diálogo. Gente, eu fico muito à vontade, porque aqui do lado tem a Avenida Mãe Stella de Oxóssi. Quem construiu a Avenida Mãe Stella de Oxóssi fomos nós, na nossa gestão. Tem lá um monumento lindíssimo à Mãe Stella, com um Oxossi maravilhoso. É verdade ou não é?”, disse ACM Neto, destacando iniciativas de sua gestão voltadas para as religiões de matriz africana.
O ex-prefeito citou ainda o Parque da Pedra de Xangô, classificando como “um dos mais importantes parques da nossa cidade”, cuja obra foi iniciada em sua administração e segue na de Bruno, e lembrou também do empenho de sua gestão para dar institucionalidade às religiões ancestrais.
“Eu era prefeito, os terreiros não eram considerados templos religiosos. Quem colocou lá todo respaldo político para considerar os terreiros como templos religiosos, e mais do que isso, assegurou toda isenção tributária, fomos nós, na nossa gestão”, declarou, agradecendo também o trabalho de Ivete Sacramento na Secretaria de Reparação.
“Então, gente, eu estou falando tudo isso porque eu me sinto muito à vontade pra conversar com vocês, me sinto muito à vontade pra dizer que a equipe do prefeito Bruno Reis vai dialogar com vocês. O próprio prefeito vai fazer isso daqui a pouco, tá certo? E a gente faz as coisas ouvindo as pessoas. Ninguém é dono da verdade”, concluiu.
No local, o cerimonial da prefeitura foi recebido com protestos, que acusam crime ambiental e discriminação de cunho religioso. Ao bahia.ba, a ialorixá Jaciara Ribeiro, da casa Abassá de Ogum, expressou sua indignação. “Na verdade, nós não estamos nem protestando, nós estamos querendo entender. Porque aqui é uma área pública e a prefeitura demarca como um território evangélico, querendo mudar o nome para Monte Santo e construir um cerimonial só pra evangélicos. Isso aqui é um espaço sagrado, que pertence ao povo de Candomblé, à humanidade, aos indígenas e vai demarcar como fundamentalistas de um espaço só pra Jesus?”.

