Emílio Odebrecht diz que pagamentos continuaram após Lava Jato

    Com a detenção do filho Marcelo, o patriarca voltou ao comando do grupo e determinou a paralisação de pagamentos atrasados

    Foto: Paulo Giandalia / Estadão Conteúdo

    A Odebrecht informou que só pôs fim aos pagamentos de propina e caixa dois feitos pela empresa mais de um ano após o início da Operação Lava Jato. Emílio Odebrecht contou ao Ministério Público Federal (MPF) que deu ordens para acabar com repasses ilícitos somente depois da prisão do filho Marcelo, então presidente do grupo, em junho de 2015.

    De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, com a detenção do rebento, Emílio voltou ao comando do grupo e determinou a paralisação de pagamentos atrasados. “Quando eu, logo uma semana depois [da prisão de Marcelo Odebrecht] oficializava a entrada no Newton [de Souza] como presidente, substituindo o Marcelo, e ao mesmo tempo definia uma série de regras dentro da organização, foi que daí para frente terminou o caixa dois, zerava. Os compromissos que existiam morreram, [a ordem era] desfazer tudo, não existe mais”, afirmou Emílio.

    Até então, estava acertado que a Odebrecht pagaria uma dívida de três campanhas ao marqueteiro Duda Mendonça, entre elas a de Paulo Skaf (PMDB) ao governo paulista em 2014.

    Após semanas de cobranças e tentativas frustradas de acordo, chegou-se a ao entendimento de que a empreiteira compraria do publicitário um terreno no sul da Bahia por um preço maior do que o real, de forma a quitar os débitos. “Seria um superfaturamento do terreno”, contou.

    Com a decisão de acabar o pagamento de propinas, Emílio pediu, então, para desfazer o combinado, mas o imóvel ainda estava em nome de Duda. O publicitário procurou o Ministério Público para fazer delação, mas sua proposta foi rejeitada, e ele firmou acordo de colaboração com a Polícia Federal.