Empresário diz que bronca de Bolsonaro virou trunfo para Tarcísio descolar de radicais

    ‘O ex-presidente cortou uma fala de Tarcísio, que foi na sequência hostilizado por defender uma proposta que era boa para o país’, disse fundador do Esfera Brasil

    Foto: Reprodução / Facebook

    O recente desentendimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com seu ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi visto pelo empresariado como um “bilhete premiado” para o governador de São Paulo, que poderia se descolar do radicalismo sem parecer ingrato. A informação é da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.

    Segundo a publicação, João Carlos Camargo, fundador e presidente do conselho do grupo Esfera Brasil, que tem entre seus 49 associados alguns dos maiores banqueiros e empresários do país, avaliou que a bronca dada pelo ex-mandatário em Tarcísio fez a popularidade do governador crescer entre os agentes do mercado.

    “O ex-presidente cortou uma fala de Tarcísio, que foi na sequência hostilizado por defender uma proposta que era boa para o país. Isso gerou solidariedade dos empresários a ele, que foi vítima de grosserias injustificadas”, afirmou Camargo, em referência à reunião do PL, na qual o ex-ministro foi hostilizado por defender a reforma tributária.

    O empresário lembrou ainda que a reforma hoje tem amplo apoio do PIB brasileiro. “Quando foi proposta, 80% dos associados do Esfera Brasil se posicionaram contra ela. Depois que as informações ficaram mais claras, o jogo virou, e 80% passaram a apoiá-la”, contou.

    Na avaliação do fundador do Esfera Brasil, a “bronca” de Bolsonaro possibilitou que Tarcísio mostre que “não atua nem atuará como marionete” e que “responsabilidade e maturidade para governar, além de um caráter pró-Brasil”.

    “Quem entregou esse troféu para o Tarcísio foi o próprio Bolsonaro”, pontuou o empresário, segundo o qual o ex-presidente “acabou dando uma espécie de alvará para que o governador siga o seu caminho”. “Tarcísio é grato ao ex-presidente, e buscou dialogar com o PL. Mas precisa pensar em São Paulo antes de mais nada, e governar”, pontuou.

    Ainda a respeito da reunião, Camargo calcula que o governador de SP acabou saindo “com o bilhete da loto premiado”, demarcando distância ao radicalismo bolsonarista sem a necessidade de uma fala direta sobre o tema.