Enfim, a hora da verdade: as delações da Odebrecht começam a dar as caras

    O procurador da República, Rodrigo Janot, vai pedir a quebra do sigilo das delações e aí que a Lava Jato vai entrar em sua fase decisiva

    Frase da vez

    “A corrupção é praticada há tanto tempo por essas empresas que se tornou um modelo de negócio”

    Deltan Dallagnol, procurador da República que atua na Lava Jato

    Foto: Divulgação
    Foto: Divulgação

     

    Fim de carnaval, 2017 começa de fato. E vem, conforme o previsto, com a Odebrecht pautando a mídia.

    O depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no processo de cassação da chapa Dilma-Temer, quando ele admitiu ter passado R$ 150 milhões, parte pelo caixa 2, algo em torno de R$ 40 milhões, é um ensaio.

    Marcelo também disse que deu dinheiro a Aécio Neves. Mas tudo isso é fichinha diante do tsunami anunciado pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais negociadores das delações da Lava Jato.

    Da Odebrecht, 77 executivos fizeram delação. Estima-se que 130 políticos de alto e médio coturno estão implicados. E o procurador da República, Rodrigo Janot, vai pedir a quebra do sigilo das delações.

    É aí que a Lava Jato vai entrar em sua fase decisiva. Ela já tem o mérito de demonstrar que o jogo político brasileiro era uma sujeira generalizada. Prendeu empresários dos mais expressivos no Brasil, como o próprio Marcelo Odebrecht. Mas está faltando uma banda, a dos políticos com mandato.

    Eles cobram, com razão, a separação do que era doação legalmente feita do que era propina. E até que isso seja clareado, todos juram de dedos cruzados inocência plena.

    Ninguém acredita, mas é preciso que as juras de inocência se transformem em fatos (se é que é possível) e as desconfianças coletivas idem.

    E que 2017 seja bem vindo.