Frase da vez
“Leis são como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insetos maiores rompem sua trama e escapam”
Solón, estadista e poeta da Grécia antiga (638 a.C-558 a.C)

Gosto de recorrer a frases de pensadores de outros tempos para mostrar como os tempos mudaram pouco. Veja essa aí a de Sólon, dita há mais de 2.600 anos. Não parece que foi falada ontem?
Candidamente, líderes de sete partidos apressaram-se ontem em distribuir uma nota dizendo que o STF invadiu a Câmara ao destituir Eduardo Cunha da presidência e afastá-lo do mandato.
Diz a Câmara que tais prerrogativas são dela própria. E são. E por que o STF entrou? A resposta é simples, em dois pontos:
1 – A própria Câmara não se dá o respeito. Ao invés de agir nos casos de notório atropelo das da regras, colaborou.
2 – A inviolabilidade do mandato, ancorada no dispositivo que assegura a imunidade, produziu uma imoralidade, a de vermos uma legião de corruptos carimbados travestidos de representantes do povo. E daí resulta que o próprio Cunha, com a cassação de Dilma, poderia ser o presidente da República (era só o que faltava).
Ademais, Cunha e Cia não podem sobrepor-se a todas as leis em nome de uma. O STF consumou um fato inédito, histórico por isso. E a nação, muito comovida, agradece.
Diz Eduardo Cunha que ‘o PT gosta de companhia no banco dos réus’. Não é questão de gostar. E não é para ter?
Frases do afastamento
Veja algumas frases que marcaram o momento:

– “Em situações de excepcionalidade, em que existam indícios concretos a demonstrar riscos de quebra da respeitabilidade das instituições, é papel do Supremo atuar para cessá-los, garantindo que tenhamos uma República para os comuns, e não uma comuna de intocáveis”.
Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, na sentença que afastou Cunha.
– “Antes tarde do que nunca”.
Dilma, repicando a frase que virou o hit dos inimigos de Cunha.
– “O Conselho de Ética ficará mais tranquilo sem as manobras de Cunha. Espero que consigamos concluir o que o Brasil quer”.
José Carlos Araújo, presidente do Conselho de Ética.
– “Tchau, ladrão”.
Lindberg Farias, senador do PT carioca.
– “Em que pese o fato de a decisão do STF ter ocorrido de forma tardia, é uma medida que merece aplausos”.
Álvaro Dias, senador do Paraná, líder do PV
– “Às vezes, para salvar o corpo, você tem que amputar um membro. A medida foi correta”.
Cássio Cunha Lima, senador paraibano, líder do PSDB no Senado.
– “O povo brasileiro agora deve estar de alma lavada”.
Ivan Valente, deputado do PSOL de São Paulo.
Epigrama nele
Após muito aprontar, Eduardo Cunha agora está amuado, com medo de ser preso. Antonio Lins tascou o epigrama:
Atrapalhou julgamentos,
Blasnou, fez confusão,
Que acabou sem provimentos
Na porta da reclusão
Dodô e Daniela 2
A ideia da vereadora Vânia Galvão (PT) de trocar o nome de Dodô pelo de Daniela Mercury no circuito Barra-Ondina teve nuances curiosas. Vânia bem poderia, ela própria, apresentar um projeto de lei, mas preferiu fazer a indicação e jogar a batata quente no colo de ACM Neto.
Como o caso deu repercussão, Neto que não é bobo, jogou a peteca para o Conselho do Carnaval, que vetou e acabou faturando: botou o nome de Daniela na festa do réveillon.
O corrupto
O servidor público da Prefeitura de Salvador ganhou um presente da Secretaria de Gestão: quem for ao Teatro Módulo (Pituba) assistir uma peça teatral em cartaz, às quintas e sextas, até 17 de junho, tem direito a pagar meia.
Nome da peça: O corrupto.
Deu o que falar nas redes sociais.

A volta de Geddel
A provável ascensão de Geddel ao ministério de Michel Temer começou a provocar efeitos no interior baiano. Camaçari, por exemplo.
Lá, o vereador Antonio Elinaldo (DEM) lidera as pesquisas e, apesar de estar enroscado com a justiça por conta do seu envolvimento com o jogo do bicho, ainda é o pole position entre os oposicionistas para enfrentar o deputado Luiz Caetano (PT).
Mas o ex-prefeito José Tude, que estava meio que jogado num canto, renasceu.
Na bolsa de apostas, está dando Tude.
Portas portuguesas
Carla Maia e Diogo Barbosa, presidente e diretor-executivo da GO Engenharia, de Portugal, apresentam hoje (a partir das 9h) propostas para empresários baianos que queiram entrar no mercado português. Eles dizem que Portugal é a porta para o Mercado Comum Europeu.
O encontro é em parceria com a Fieb.
Xangô e Thémis
O advogado Sérgio São Bernardo, militante do movimento negro, lança na segunda (18h30), na Livraria LDM (Cine Glauber Rocha), o livro Xangô e Thémis – Estudos sobre filosofia, direito e racismo.
Segundo o historiador Jaime Sodré, concentra-se na trajetória africana no Brasil.
Esperando a recíproca
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) decidiu não considerar, para efeito do índice de pessoal, despesas do governo como indenizações de férias e licença-prêmio não utilizadas.
A UPB pede isonomia. Quer do TCM o mesmo tratamento aos prefeitos.

