‘Eu era o otário do governo; eu era o bobo da corte’, diz Odebrecht

    Empreiteiro ainda declarou em depoimento que acertou com o presidente Temer contribuição para a campanha eleitoral de 2014

    Foto: Reprodução/ Agência Brasil

    Em seu depoimento à Justiça Eleitoral nesta quarta-feira (1º), o empresário Marcelo Odebrecht, preso desde 2015, disse que se sentia o “bobo da corte” do governo federal. Ao falar sobre a situação da empreiteira baiana que leva o sobrenome de sua família, o ex-presidente revelou descontentamento por ser obrigado a entrar em projetos e empreendimentos que não desejava e bancar repasses às campanhas eleitorais, sem receber as contrapartidas que julgava necessárias.

    “Eu não era o dono do governo, eu era o otário do governo. Eu era o bobo da corte do governo”, afirmou Marcelo Odebrecht, conforme relatos colhidos pelo jornal O Estado de S. Paulo.

    Marcelo declarou ainda, no depoimento que durou mais de quatro horas, que mantinha contato frequente com o alto escalão do governo – como Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, com quem disse negociar repasses a campanhas eleitorais.

    Jantar com Temer – No mesmo depoimento, o empreiteiro confirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que jantou com o presidente Michel Temer (PMDB) no Palácio do Jaburu, em Brasília, durante a campanha presidencial, e que discutiu com ele uma contribuição para a campanha eleitoral de 2014, que seria destinada ao seu grupo político no PMDB.

    Ainda conforme Odebrecht, no entanto, não foi acertado com Temer um valor de doação. Ele disse acreditar que os montantes a serem doados tenham sido acertados previamente entre Eliseu Padilha, homem de confiança de Temer e hoje ministro da Casa Civil, e Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da companhia.

    Odebrecht revelou, porém, que, antes do jantar com Temer, recebeu um pedido de contribuição de R$ 6 milhões direto de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que era candidato ao governo de São Paulo na época.