Ex-deputado baiano escondeu fraude na Constituinte a pedido de Ulysses

    Marcelo Cordeiro resolveu contar a história do período em que era primeiro-secretário da mesa da Câmara dos Deputados

    Foto: FGV/CPDOC Da esq./dir.: os deputados Marcelo Cordeiro; Ulisses Guimarães e Mauro Benevides

    Quase 30 anos depois da Assembleia Constituinte instalada para elaborar a Constituição de 1988, o ex-deputado federal baiano Marcelo Cordeiro (PMDB) resolveu contar que escondeu uma fraude a pedido do então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães (PMDB).

    Segundo relatou o peemedebista, na época, quando era primeiro-secretário da mesa da Casa Legislativa e responsável por todo o aparato de divulgação – TV, rádio e jornais –, suas câmeras flagraram dois deputados fraudando votos, o que poderia motivar a cassação dos mandatos.

    “[Escondi] para preservar a instituição. Porque aí colocava em xeque todas as votações. Quem me garante que não aconteceu em outras?”, indagou o ex-congressista, em entrevista publicada no livro 1988: Segredos da Constituinte do jornalista Luiz Maklouf Carvalho, lançado no último mês.

    Marcelo Cordeiro disse que a atitude correta era levar o caso para a Comissão de Ética, mas decidiu omitir. “Eu só falei com o dr. Ulysses, sem testemunha. Ele concordou com a minha posição de não divulgar, porque ia ser merda no ventilador. No frigir dos ovos, essa decisão não comprometeu a Constituinte, não comprometeu o resultado”, revelou o ex-deputado, que não quis falar o nome dos envolvidos na fraude.