Publicado em 26/06/2026 às 15h00.

Ex-prefeito cobra Jerônimo por explicações sobre a saúde em Barreiras

A cobrança ocorre em meio aos números do Tratamento Fora do Domicílio (TFD)

Redação
Foto: Reprodução

 

O ex-prefeito de Barreiras, Zito Barbosa (União Brasil), afirmou que o governador Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o senador Jaques Wagner (PT) deveriam aproveitar a agenda política deste fim de semana no município para apresentar respostas sobre a assistência oncológica no Oeste da Bahia.

“Eles deveriam vir a Barreiras explicar como vão resolver o problema da saúde. Não é razoável que pacientes com câncer, já fragilizados pela doença, precisem enfrentar deslocamentos longos para buscar um tratamento que deveria estar mais perto da população do Oeste”, declarou.

A cobrança ocorre em meio aos números do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), programa que garante o transporte de pacientes para atendimento em outras cidades. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que, apenas nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, foram realizados 2.561 deslocamentos de pacientes oncológicos para unidades de referência fora de Barreiras, gerando uma despesa de R$ 673.019,05. Do total, R$ 607.527,58 foram destinados ao transporte e R$ 65.491,47 às taxas administrativas.

Segundo os registros, Salvador concentrou praticamente toda a demanda. A capital recebeu 2.488 pacientes, o equivalente a 97,15% dos deslocamentos. Também houve encaminhamentos para Brasília (38), Goiânia (21) e Vitória da Conquista (oito).

De acordo com Zito, a principal razão para esse fluxo é a ausência do serviço de radioterapia na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital do Oeste, administrado pelo Governo do Estado. Com isso, pacientes que necessitam desse tratamento continuam sendo encaminhados para Salvador. Além da radioterapia, parte significativa das quimioterapias e das cirurgias oncológicas também é realizada no Hospital Aristides Maltez, na capital.

“Barreiras e todo o Oeste não podem continuar dependendo quase exclusivamente de Salvador para procedimentos fundamentais. Quando um paciente precisa sair daqui para fazer radioterapia, quimioterapia ou cirurgia, não estamos falando apenas de números. Estamos falando de gente, de famílias inteiras que passam por uma rotina pesada, cara e desgastante”, afirmou.

O ex-prefeito também questionou o anúncio da inauguração da ala de radioterapia do Hospital do Oeste, prevista pelo governo estadual para este fim de semana. Segundo ele, ainda não foram apresentados detalhes sobre o funcionamento da estrutura.

“Dizem que vão inaugurar esta ala de radioterapia, mas, ao mesmo tempo, entregam um micro-ônibus para transportar pacientes em radioterapia para Salvador. É uma contradição”, disse.

Os dados de 2026, segundo Zito, repetem um cenário observado no ano anterior. Em 2025, Barreiras registrou 17.816 passagens emitidas para pacientes em tratamento fora do município, com investimento de R$ 4,43 milhões. A média foi de aproximadamente 1.485 deslocamentos por mês, ao custo mensal de cerca de R$ 369,5 mil.

Para o ex-prefeito, os números demonstram a necessidade de ampliar a estrutura oncológica na região. “Não dá para tratar isso como uma dificuldade pontual. O município tem feito um esforço enorme para garantir os deslocamentos, mas esse modelo impõe um peso financeiro e humano muito grande. O Governo do Estado precisa dizer qual é o plano, qual é o prazo e como pretende assegurar atendimento oncológico de forma mais digna para quem vive no Oeste da Bahia”, concluiu.

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