Ex-presidenciável, Haddad diz que Rui pode ‘colocar no currículo’ ataques de Bolsonaro

    Em resposta, governador disse que presidente não se esforça para cativar o Nordeste: "Tenta perseguir"

    Foto: Carlos Casaes/ Divulgação

    Ex-presidenciável pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad comentou com o governador Rui Costa (PT), na noite desta segunda-feira (4), que o gestor baiano coleciona ataques por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nas palavras do ex-prefeito de São Paulo, Rui “pode colocar no currículo” a quantidade de vezes que foi ofendido pelo chefe do Executivo.

    O comentário foi feito durante a estreia da série de entrevistas que Haddad fará por meio de lives no Instagram. “Ele ataca especialmente governadores do Nordeste. Eu gostaria de saber como é essa relação da Bahia, em especial, com o governo federal”, questionou o entrevistador.

    Em resposta, Rui disse que Bolsonaro não faz questão de cativar o povo nordestino – região em que perdeu as eleições de 2018. “Ele não faz questão nenhuma de conquistar as pessoas nos lugares onde ele perdeu. É um erro grave que o Brasil cometeu. Mas eu não respondo a ele com as mesmas palavras”.

    Rui também afirmou que Bolsonaro é “agressão todos os dias”, criticou a postura do presidente em meio à crise do novo coronavírus e disse que a Bahia sustenta, praticamente sozinha, os custos com a saúde.

    “Nós abrimos sete hospitais. Tudo a nosso custo. O nosso teto MAC é o mesmo de 2015, é como se não tivéssemos aberto hospital nenhum. As 16 policlínicas que temos nós sustentamos junto com os prefeitos. O governo federal não faz sua parte, é como se fosse um SUS baiano”, acrescentou o governador.

    Ataques
    O baiano lembrou ofensas recentes de Jair, que se referiu às suas ações de enfrentamento à Covid-19 como “palhaçadas”. “Mas eu disse que não usaria os mesmos gestos. Ele utiliza isso para atingir rivais políticos, mas eu não vou fazer o mesmo porque eu tive educação diferente”.

    Ainda com a palavra, o petista argumentou que a eleição para eleger o chefe do Executivo foi “erro grave” e comentou o ataque sofrido por jornalistas – agredidos apoiadores do presidente ontem, domingo (3), em Brasília. “Eu espero que ele amanheça qualquer dia desses pensando na nação, porque nós estamos pagando o preço”.

    Ao concordar com Rui, Haddad afirmou que o “Brasil nunca teve uma relação tão desgastada com um presidente”. Ele considerou também que, com os conflitos constantes, o Consórcio Nordeste – que reúne os nove estados – acabou se destacando na tomada de decisão.

    “Vocês se uniram em torno de um grupo e resolveram agir juntos. Para o espanto de alguns, esse consórcio tem mantido inclusive relações com o exterior”, pontuou, ao elogiar o gestor baiano, presidente do grupo.