Executivos temem saída de Marcelo Odebrecht da prisão

    Às vésperas do início da pena domiciliar, soltura do ex-presidente da empreiteira é não é bem vista. Ele tem se mostrado insatisfeito com os acordos

    Foto: Reprodução/ Agência Brasil

    O empresário Marcelo Odebrecht deixará a prisão no próximo dia 19 de dezembro, mas a sua liberdade não é encarada com alegria pela empresa. Ele ainda ficará mais dois anos e meio em prisão domiciliar.

    Segundo fontes próximas ao empresário, ele demonstra estar insatisfeito com o acordo feito. O medo é de que ele aponte inconsistências e omissões no processo, assunto frequente para quem o visita no complexo prisional em Curitiba.

    Neste período, o ex-presidente da Odebrecht já havia rompido com o diretor jurídico do grupo, Adriano Maia, com a irmã Monica, o cunhado Maurício Ferro, também diretor, e com a própria mãe.

    Com o pai, Emílio Odebrecht, presidente do conselho, Marcelo já havia brigado em 2015, antes de ser preso. A delação do grupo foi articulada por Emílio, que encarou o procedimento como a única maneira de salvar a organização da falência. O advogado responsável pelo processo julgou o ato como uma “rendição”.

    Marcelo alega ter sido injustiçado em três casos nos quais é réu, entre eles o do sítio de Atibaia cuja propriedade é atribuída ao ex-presidente Lula. O empreiteiro nega envolvimento no caso e acusa o pai de ter bancado a propriedade, e o executivo da construtora, Alexandrino Alencar, de coordenar os pagamentos.

    O clima de tensão já levou o executivo Paulo Cesena, um dos 26 entre os 77 delatores autorizados a continuar trabalhando, a se demitir. Ele é ex-presidente da Odebrecht Transporte.

    Em nota, a Odebrecht afirma que a colaboração da empresa foi comprovada com “documentos, planilhas, recibos e extratos bancários”.