PF pede quebra de sigilo bancário de Janones após ver indícios de rachadinha

    Deputado disse que segue 'absolutamente confiante' de que será absolvido

    Foto: Reprodução / Facebook

    A Polícia Federal pediu ao STF autorização para a quebra do sigilo fiscal e bancário do deputado federal André Janones (Avante-MG). A representação foi enviada hoje (30) no inquérito que apura suposta prática de rachadinha no gabinete do parlamentar.

    Além de Janones, a quebra de sigilos poderá alcançar outros seis assessores do deputado. De acordo com a PF, a medida é uma “etapa essencial para o esclarecimento do caso”. “Somente por meio dessa análise minuciosa será possível chegar a uma conclusão definitiva sobre a natureza e o alcance das ações do parlamentar e de seus assessores”, afirmou o delegado Roberto Santos Costa.

    Um dos assessores do deputado federal André Janones (Avante-MG) que teria dito em gravação que repassava parte do salário ao parlamentar afirmou que a fala se tratou de uma “brincadeira” com um colega que sempre lhe pedia dinheiro emprestado.

    Segundo o portal UOL, o depoimento de Alisson Alves Camargos foi mencionado no pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal do deputado por ser considerado “contraditório” pela Polícia Federal. Ele aparece em dois áudios conversando com Fabrício Ferreira de Oliveira, ex-assessor que deixou o gabinete de Janones e afirmou reconhecer a existência de prática de rachadinha.

    Nas conversas, Alisson diz: “Não, mas é quase 5 conto que eu passo pra eles, Fabricio. Eu tiro 9 mil… Nem 9 mil eu não tô tirando”. Fabrício questiona se seriam então repasses de R$ 4 mil. Alisson completa: “Mais de 4 mil, Fabrício”.

    À Polícia Federal, Alisson negou que tenha repassado qualquer quantia a Janones e rejeitou a suspeita de prática de rachadinha no gabinete. Questionado sobre a fala, respondeu que Fabrício era “meio desequilibrado” e “vivia fazendo intriga”.

    De acordo com o UOL, chamou atenção da PF, porém, que, apesar de negar repassar valores a Janones, Alisson admite que em “alguns meses” sacou cerca de R$ 4.000 em espécie. Segundo o assessor, o valor seria para pagar contas de água, energia e aluguel.

    Alisson afirmou que não se lembrava o motivo de não ter usado transferências bancárias. Antes, ele havia dito que tinha o costume de realizar saques em espécie por não ser “muito ligado a essas modernidades” de transferências eletrônicas.

    Janones nega rachadinha

    Em nota divulgada nas redes sociais, Janones afirmou que o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal “causa estranheza”. “Mais estranho ainda é apontarem como ‘suspeito’ um depósito feito quando nenhum dos assessores investigados trabalhava mais em meu gabinete. Como eles devolviam salário três anos após serem exonerados?”, questionou.

    O deputado disse que segue “absolutamente confiante” de que será absolvido. “Eu não devo, quem deve são os Bolsonaros, que recorreram até a última instância para não terem seus sigilos quebrados, e até hoje não justificaram como conseguiram comprar 70 imóveis em dinheiro vivo.”