FHC acredita que agenda ‘ultraliberal’ pode gerar revolta como no Chile

    Ex-presidente critica política econômica do atual governo e classifica como 'ridículo' taxar seguro-desemprego

    Foto: Divulgação/PSDB
    Foto: Divulgação/Rede Globo
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    Ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso disse nesta terça-feira (26) que não somente a polarização pode levar o país a crises e protestos, como também a agenda econômica “ultraliberal” proposta pelo governo Jair Bolsonaro.

    Em sua análise, a postura adotada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, é um fio ‘desencapado’ capaz de gerar revoltas populares, como as que ocorrem no Chile. As declarações ocorreram em entrevista à BBC News Brasil, em Londres.

    “Na situação do mundo hoje, um fio desencapado pode levar a um curto-circuito. Eu quero isso? Não, mas pode acontecer. Eu acho que essa política ultraliberal dificilmente se implanta na sociedade brasileira”, disse.

    Ele classificou como “ridícula” a criação pelo governo de uma alíquota de 7,5% sobre o benefício concedido aos desempregados. Segundo FHC, a medida é fruto da mente de políticos que vivem ‘numa bolha’ e desconhecem a ‘realidade brasileira’.

    “Eu sou mais liberal que estatizante, mas não sou ultraliberal. Acho que tem de ter equilíbrio e noção das necessidades concretas das populações. Não adianta ter uma fórmula benfeita, porque ela não se aplica a todas as sociedades. Taxar seguro-desemprego chega a ser quase ridículo”.