‘Ficou estranho’, diz Maurício Trindade sobre ausência de Neto no 2 de Julho

    Vereador comentou sobre possibilidade de ACM Neto de candidatar à Prefeitura de Salvador em 2024 e como será o seu comportamento caso seu irmão, Zé Trindade, dispute o pleito

    Foto: Gabriela Araújo/bahia.ba

    O vereador de Salvador Maurício Trindade (PP), presente do evento que marca o início das obras de requalificação viária na região da Rótula do Abacaxi, na capital baiana, não poupou críticas a ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito da capital baiana por não ter comparecido ao evento do Bicentenário da Independência do Brasil na Bahia, comemorado no último domingo (2), na tradicional caminhada na Lapinha, bairro soteropolitano onde agentes políticos do estado costumam estar a cada ano.

    “Eu acho que ficou um pouco estranho que ele sempre tem ido antes da campanha [de 2022] e, no ano da que ele não é candidato, ele não aparecer lá. Ficou realmente estranho. Foi a voz das ruas e ficou chato ele não estar apoiando diretamente e acompanhando o prefeito Bruno Reis, já que ele é o principal padrinho de Bruno Reis é a e não tem ido em nenhum evento, não tem aparecido na cidade, está praticamente sumido desde a eleição, são quase nove meses. Realmente faz falta. As pessoas cobram literalmente isso, os líderes cobram isso, os deputados cobram isso e, realmente, ele tem se ausentado muito da vida política”, responde Trindade ao bahia.ba.

    O parlamentar, que é da base do Executivo na Câmara de Salvador, perguntado pelo bahia.ba se esse possível distanciamento entre Neto e Reis seria um indicativo de que o ex-prefeito não pretende apoiar o atual prefeito à reeleição e que poderia, inclusive, tentar um terceiro mandato como titular do Palácio Thomé de Souza, afirma que tem ouvido sobre essa especulação “nas ruas”, mas que espera que isso não aconteça e o grupo chegue unido em 2024.

    “O que se diz nas ruas é que se Bruno não se viabilizasse, ACM Neto poderá querer ser candidato, que é um grande nome, tem uma imagem de forte em Salvador e pode realmente querer [ser candidato], talvez essas ausências sejam isso, mas esperamos que não seja e que o grupo de ACM Neto Bruno Reis esteja unido nas eleições. Mas que não é impossível, né não”, avalia o edil.

    Apoio ao irmão

    O vereador, que é irmão do presidente da Companha de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder), Zé Trindade, comentou ainda como se comportará caso se confirme uma candidatura do gestor da Conder como prefeito de Salvador no próximo pleito.

    O parlamentar não descartou mudar de lado, caso suas demandas junto à gestão municipal não sejam atendidas. O caminho para isso, explica, pode acontecer caso assuma como deputado estadual, já que ele é suplente e os legisladores do PP na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) já aderiram à base do governo estadual.

    “Eu acredito que o candidato do governador [Jerônimo Rodrigues] será realmente o Zé Trindade como eu acredito que terá o candidato representante do Jair Bolsonaro, que será o ministro e ex-secretário em Salvador, João Roma, que é amigo de todos nós, além de meu irmão, que é meu amigo. Então o povo de Salvador terá a oportunidade de ter três grandes candidatos, três bons administradores (…) E política só vai discutir daqui a quase um ano ainda pela frente. Eu acredito que sendo bem atendido nossos pleitos, principalmente na área que eu trabalho, que é saúde e social, a gente continuará ao lado de Bruno Reis, marchando, mas se não tiver também, nós podemos conversar, nosso partido tem conversado, sou suplente [a deputado estadual], posso assumir, já que o PP tem grande chance de fazer prefeitos e fazer secretários e os deputados estaduais já foram para o lado de Jerônimo, então política a gente vai discutir lá na frente, hoje é pra ajudar Bruno Reis a governar”, argumenta.

    Espaços na gestão municipal

    Trindade reafirma ainda que o PP precisa de mais espaço na gestão do prefeito Bruno Reis em Salvador. Sob a justificativa do tamanho da sigla, que tem uma das maiores bancadas da Câmara de Salvador, precisa ocupar pastas importantes, já que, de acordo com ele, o secretário de Governo, Cacá Leão (PP), responde a uma cota na administração municipal do ex-prefeito ACM Neto e não de uma indicação do partido.

    “É natural, o partido é o maior partido do município, junto com o União Brasil. É natural que você peça posições no Executivo para participar da administração com indicações não só dando ideias (…) O PP que é o maior grupo da cidade, que veio da oposição para o lado de cá e você não vai crescer o partido se você não tiver posições políticas, você não faz política hoje em lugar nenhum do Brasil sem você ter posições no Executivo, então eu continuo cobrando, o PP continua cobrando, o cargo que hoje tem lá, que é de secretário do Cacá Leão, é uma na cota individual de ACM Neto e o partido não se sente atendido. Os vereadores têm suas indicações, mas o partido, para o crescimento, precisa ter uma posição, uma secretaria ou duas diretorias”, argumenta Maurício Trindade.