Flávio Bolsonaro pede investigação de diretor-geral da PF por atuação

    Candidato acusa Andrei Rodrigues de favorecer o PT

    Foto: Reprodução/TV Globo

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, apresentou neste domingo (11) uma notícia-crime à Justiça Eleitoral para pedir a investigação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A iniciativa acusa o chefe da corporação de supostamente favorecer o PT durante o processo eleitoral.

    A representação foi apresentada pelos advogados do candidato e tem como base uma entrevista concedida por Rodrigues a jornalistas no domingo anterior (4), data do primeiro turno. Na ocasião, o diretor-geral afirmou que havia um procedimento preliminar para apurar uma possível interferência estrangeira nas eleições.

    O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro

    Na avaliação da defesa de Flávio, a declaração levou à publicação de notícias sobre o caso e teria sido precedida por uma articulação de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para associar a suposta interferência a um auxílio estrangeiro a grupos de direita.

    “Em uma eleição presidencial polarizada entre o candidato do Partido dos Trabalhadores opresidenteLulao presidente Lula e o candidato do Partido Liberal FlaˊvioBolsonaroFlávio Bolsonaro, hoje adversários no segundo turno, toda carga negativa lançada sobre um deles reverte, por definição, em favor do outro”, afirmam os advogados.

    Defesa cita arquivamento de apuração pela PF

    A representação também menciona a decisão da Polícia Federal de arquivar o pedido de investigação sobre a suspeita de interferência estrangeira. Segundo os advogados, a divulgação do procedimento no dia da votação teria beneficiado eleitoralmente o partido de Lula.

    “Se não havia o que apurar, restava apenas o que divulgar. E a divulgação, no dia do primeiro turno, só aproveitava a um partido: o Partido dos Trabalhadores”, dizem os advogados do bolsonarista.

    A notícia-crime sustenta que a conduta atribuída a Andrei Rodrigues pode se enquadrar em um dispositivo do Código Eleitoral que proíbe o uso de estruturas públicas para beneficiar partidos ou organizações políticas. A legislação prevê detenção de até seis meses e multa para quem for condenado por essa irregularidade.

    Polícia Federal arquivou pedido da AGU

    Na quinta-feira (7), a Polícia Federal informou que arquivou o pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar uma possível interferência estrangeira nas eleições de 2026.

    A solicitação chegou a ser encaminhada para análise preliminar da Diretoria de Inteligência da corporação. Segundo a PF, porém, não foram identificados elementos suficientes para justificar a instauração de um inquérito.

    A notícia-crime apresentada pela campanha de Flávio busca apurar se a manifestação pública do diretor-geral sobre o procedimento preliminar configurou uso da estrutura estatal em benefício eleitoral do PT. As alegações apresentadas pelos advogados são acusações da defesa e não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre a conduta de Rodrigues.