O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em julho deste ano, que nunca havia viajado em uma aeronave de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do Banco Master
A declaração voltou a repercutir nesta quinta-feira (24), após reportagem da revista piauí apontar que o senador utilizou, em janeiro de 2025, um jatinho que tinha participação de uma empresa da qual Vorcaro era sócio.
Na ocasião da declaração, Flávio disse que sua relação com o ex-banqueiro estava restrita ao financiamento do filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A única relação que eu tive com o Vorcaro é sobre o filme do meu pai. Vocês não vão ver eu [sic] em festinha de Vorcaro, em clubes de whisky de Vorcaro. Vocês não vão me ver viajando para Londres, Estados Unidos, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro”, disse Flávio em julho.
A fala ocorreu durante um evento em Brasília, ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro. Segundo a piauí, porém, os dois e as duas filhas do casal viajaram em 19 de janeiro de 2025 de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília, em uma aeronave ligada à empresa Prime You.
Jato tinha participação de empresa ligada a Vorcaro
O avião utilizado na viagem é um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. De acordo com a reportagem, na época do voo a Prime You detinha um terço das cotas da aeronave. Vorcaro foi sócio da empresa entre 2021 e setembro de 2025.
A aeronave também era operada pela Prime You, por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. As informações foram divulgadas pela piauí com base em registros relacionados à aeronave e dados obtidos durante investigação da Polícia Federal.
Além de Flávio, Fernanda e as duas filhas, o advogado e empresário Willer Tomaz estava entre os passageiros. Segundo a reportagem, Tomaz era proprietário de outra das três cotas do avião.
A propriedade formal da aeronave estava registrada em nome da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., uma empresa de propriedade compartilhada. Conforme relatório da Polícia Federal citado pela piauí, cada uma das três participações de 33,33% estava avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.
A mesma aeronave foi utilizada posteriormente pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2025.

