Publicado em 22/06/2020 às 11h29.

Foragida da Justiça, esposa de Queiroz disse que só sairia do RJ para não ser presa, diz MP

Segundo a investigação, Márcia Oliveira de Aguiar recebeu R$ 174 mil de origem desconhecida em esquema de rachadinha

Redação
Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

 

Mulher de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Márcia Oliveira de Aguiar disse que só sairia do Rio se estivesse com a prisão decretada.

Segundo o portal UOL, essa declaração consta de uma troca de mensagens em que Márcia fez com Queiroz, aponta investigação do MP-RJ (Ministério Público do Rio).

Ela é considerada foragida pela Justiça desde quinta-feira (18), quando Queiroz foi preso preventivamente em Atibaia (SP) em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O casal é acusado de participar de um suposto esquema de rachadinha na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), quando servidores devolvem parte dos seus salários.

“Mais [sic] só se estivéssemos com prisão decretada. Sabe que isso será impossível né? Mais [sic] vamos aguarda [sic]”.

De acordo com o UOL, a afirmação foi dada por Márcia às 11h58 de 24 de novembro do ano passado, conforme consta no relatório encaminhado pelo MP à 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. De acordo com a investigação, Queiroz estava em Atibaia (SP) e questionava a esposa sobre a possibilidade de ela deixar a capital fluminense e ir para São Paulo.

“Está na casa do anjo?”, perguntou Márcia. “Estamos”, respondeu Queiroz. “Resume ele falou alguma coisa?”, questionou. “Querendo mandar para [sic] todos para São Paulo se agente [sic] não ganhar. Aquela conversa de sempre”.

Em um primeiro momento, Márcia descartou a possibilidade: “Morar aí? Acho exagero”. “Não vamos entrar no mérito agora”, respondeu Queiroz. Em seguida, Márcia disse que só consideraria a possibilidade se estivesse com a prisão decretada.

De acordo com a investigação, os diálogos indicam que o casal estaria obedecendo às instruções de alguém identificado como “Anjo”, o apelido do advogado Frederick Wassef. Em entrevista dada à Folha de S. Paulo no sábado, ele negou ter “escondido” Queiroz e disse que não é “Anjo”. Ele também afirmou nunca ter trocado mensagens ou telefonado para Queiroz.

Márcia recebeu R$ 174 mil de origem desconhecida

Conforme a reportagem o UOL, documentos apreendidos na casa de Márcia em operações anteriores apontam que ela recebeu R$ 174 mil em dinheiro de uma origem ainda desconhecida. Segundo o MP-RJ, ela pagou despesas de um tratamento médico de Queiroz no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, também com dinheiro em espécie.

Segundo o MP-RJ, a rachadinha ocorreu no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro entre abril de 2007 e dezembro de 2018.