Publicado em 15/05/2019 às 12h26.

Forró faz um dia de festa na Alba para ver se ameniza as tristezas da alegria

O forró só quer respeito. Se ficasse no mais ou menos, já estaria bom demais. Por enquanto está no menos

Levi Vasconcelos
Foto: Amanda Oliveira/ GOVBA
Foto: Amanda Oliveira/ GOVBA

 

A sessão especial que a Comissão de Educação da Assembleia realizou ontem para proclamar a valorização das matrizes do forró e festas juninas da Bahia virou um dia de esperança em clima de festa. O hino nacional foi puxado por sanfonas, que na saída entoaram Asa Branca como símbolo da alma sertaneja.

Na festa, o toque da esperança de que os governos ajustem o pé. A própria Assembleia aprovou em 2015 a Lei da Zambumba, que obriga a contratação de 60% de artistas comprometidos com a cultura, nunca cumprida. Segundo Fabíola, ‘por falta da regulamentação que possibilita a fiscalização’.

Baixaria

Talvez seja um pouco mais. O deputado Zó (PCdoB) diz que nem o próprio São João da Assembleia, no ano passado, cumpriu o que ela aprovou:

— Imagine. Se nem aqui teve o forró pé de serra, como cobrar dos outros?

A rigor, na Alba, dos 63 deputados, conta-se de dedo os que são de fato comprometidos com a causa: além de Fabíola e Zó, Fátima Nunes (PT) e Aderbal Caldas (PP). Mas a própria Fátima admite que é difícil:

— Nós aprovamos aqui a Lei Antibaixaria. E imagine você que anteontem eu estava no povoado de Cariaca (Senhor do Bonfim) e lá me aparece uma tal de Banda Lamba Saia cantando: ‘Joguei uma bomba num cabaré/Caiu pedaço de puta pra todo lado/Catei para formar uma mulher’. Eu fui lá e pedi que me respeitassem.

E respeitaram?

— Mais ou menos.

O forró só quer isso, mais respeito. Se ficasse no mais ou menos, já estaria bom demais. Por enquanto está no menos.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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