Forró faz um dia de festa na Alba para ver se ameniza as tristezas da alegria

    O forró só quer respeito. Se ficasse no mais ou menos, já estaria bom demais. Por enquanto está no menos

    Foto: Amanda Oliveira/ GOVBA
    Foto: Amanda Oliveira/ GOVBA

     

    A sessão especial que a Comissão de Educação da Assembleia realizou ontem para proclamar a valorização das matrizes do forró e festas juninas da Bahia virou um dia de esperança em clima de festa. O hino nacional foi puxado por sanfonas, que na saída entoaram Asa Branca como símbolo da alma sertaneja.

    Na festa, o toque da esperança de que os governos ajustem o pé. A própria Assembleia aprovou em 2015 a Lei da Zambumba, que obriga a contratação de 60% de artistas comprometidos com a cultura, nunca cumprida. Segundo Fabíola, ‘por falta da regulamentação que possibilita a fiscalização’.

    Baixaria

    Talvez seja um pouco mais. O deputado Zó (PCdoB) diz que nem o próprio São João da Assembleia, no ano passado, cumpriu o que ela aprovou:

    — Imagine. Se nem aqui teve o forró pé de serra, como cobrar dos outros?

    A rigor, na Alba, dos 63 deputados, conta-se de dedo os que são de fato comprometidos com a causa: além de Fabíola e Zó, Fátima Nunes (PT) e Aderbal Caldas (PP). Mas a própria Fátima admite que é difícil:

    — Nós aprovamos aqui a Lei Antibaixaria. E imagine você que anteontem eu estava no povoado de Cariaca (Senhor do Bonfim) e lá me aparece uma tal de Banda Lamba Saia cantando: ‘Joguei uma bomba num cabaré/Caiu pedaço de puta pra todo lado/Catei para formar uma mulher’. Eu fui lá e pedi que me respeitassem.

    E respeitaram?

    — Mais ou menos.

    O forró só quer isso, mais respeito. Se ficasse no mais ou menos, já estaria bom demais. Por enquanto está no menos.