Fraude em cartão de Bolsonaro pode ter ligação com tentativa de golpe, diz PF

    Ordem para falsificação partiu do então presidente, disse Mauro Cid; em depoimento, mandatário negou ter dado ordem

    Foto: Carolina Antunes/PR

    A falsificação nos cartões de vacina do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter sido realizada no escopo da tentativa de aplicar um golpe de Estado no país e impedir a posse de Lula (PT). A conclusão consta de relatório da Polícia Federal que indiciou o mandatário, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

    “O presente eixo [falsificação dos cartões] (…) pode ter sido utilizado pelo grupo para permitir que seus integrantes, após a tentativa inicial de golpe de Estado, pudessem ter à disposição os documentos necessários para cumprir eventuais requisitos legais para entrada e permanência no exterior (cartão de vacina), aguardando a conclusão dos atos relacionados a nova tentativa de Golpe de Estado que eclodiu no dia 8 de janeiro de 2023”, afirma o documento.

    Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) e mais 14 pessoas foram indiciadas pela PF no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas de Covid-19.

    Ainda de acordo com o relatório, Mauro Cid confirmou que as falsificações no cartão de vacina do ex-presidente e no cartão da filha dele, Laura, foram feitas a pedido de Bolsonaro.

    “O presidente, após saber que o colaborador possuía os cartões de vacina para si e sua família, solicitou que o colaborador fizesse para ele também”, diz o relatório.

    “O ex-presidente deu a ordem para fazer os cartões dele e da sua filha, Laura Bolsonaro. (…) Que o colaborador [Mauro Cid] confirma que pediu os cartões do ex-presidente e sua filha Laura Bolsonaro sob determinação do ex-presidente Jair Bolsonaro e que imprimiu os certificados”.

    Também em seus depoimentos, Cid disse que os certificados falsos de vacinação “foram impressos e entregues em mãos ao presidente”.

    Em seu relatório, a Polícia Federal fala em práticas criminosas.

    No seu depoimento à PF, Bolsonaro confirmou que não foi vacinado, mas negou ter dado ordem para a falsificação.

    “Indagado se solicitou a Mauro Cesar Cid que acessasse o aplicativo ConecteSUS e emitisse o certificado com dados falsos de vacinação contra a Covid-19 em nome do declarante, [Bolsonaro] respondeu que não, pois como jamais tomou vacina contra a Covid, não havendo motivo para emissão do referido certificado”, diz o relatório.