Garimpo de Sento Sé, a história que começou em um buraco de tatu

    DNPM vai avaliar o caso da mina de ametista da Serra do Quixaba que, com apenas 15 dias de descoberta, já reuniu mais de três mil garimpeiros

    Frase da vez

    “O garimpeiro é como jogar. Sua esperança está sempre no seio da Grupiara, como a do jogador nas cartas de baralho, nos dedos ou no tabuleiro verde do bilhar.”
    Bernardo Guimarães, escritor e poeta, autor de ‘A Escrava Isaura’ (1825-1884).

    Foto: Tony Lopes/ Sento Sé Notícia
    Foto: Tony Lopes/ Sento Sé Notícia

     

    Raimundo Sobreira, superintendente do Departamento Nacional de Pesquisas Minerais (DNPM) na Bahia, vai hoje a Sento Sé levando uma equipe para avaliar o caso da mina de ametista da Serra do Quixaba que, com apenas 15 dias de descoberta, já reuniu mais de três mil garimpeiros.

    Ele diz que o foco é o social, promover meios para viabilizar o garimpo, mas ressalta que há uma série de providências, incluindo o Ibama. A mina fica no Parque Nacional do Boqueirão da Onça.

    — É uma área que só tem veado, tatu e caititu, mas surge no momento de crise temperada com uma seca nunca vista.

    Aliás, a mina entrou em cena por obra de uma atividade ilegal, a caça. Quinze dias atrás um agricultor ao lado do filho e outra pessoa cavava o buraco de um tatu quando deu nas ametistas.

    Claro que ele soltou o tatu, tamanha foi a festa. Dizem lá que foi o tatu quem deu a dica. Para salvar a pele, mostrou as pedras.

    Pedidos de exploração

    Diz Sobreira que Sento Sé é um município pródigo em minérios. No DNPM tem pedidos de exploração que envolvem 70% do território:

    — É tudo. Ouro, prata, cristal branco, citrino, manganês e galena.

    Inflação

    No povoado de Quixaba, a 50 quilômetros da cidade de Sento Sé, a vida ficou cara depois da legião de gente que chegou ao local. Uma fatia de bolo, por exemplo, que era R$ 1, passou a custar R$ 7. E uma água mineral, que era R$ 2, passou para R$ 8.

    Eólicas

    Aliás, a inflação por lá já é conhecida. Nas imediações do povoado de Piçarrão, onde há três parques de energia eólica, o São Pedro do Lago, o Pedra Branca e o Sete Gameleiras, o aluguel de uma casa passou a oscilar entre R$ 4,5 mil a R$ 10 mil.