Garotinho, a prisão que assusta e o autoperdão do caixa 2: meleira geral

    A questão: simplesmente não há, na história do Brasil, precedente de alguém que tenha sido preso por crime eleitoral fora de flagrante e muito menos por condenação

    Frase da vez

    “Uma injustiça feita a um só, é uma ameaça feita a todos

    Barão de Montesquieu, filósofo e escritor francês (1689 —1755)

    Foto: Renato Araújo/ABr
    Foto: Renato Araújo/ABr.

     

    Anthony Garotinho nunca foi flor que se cheire, mas ganhou a unanimidade do meio político com a prisão, pelo motivo e a forma.

    A questão: simplesmente não há, na história do Brasil, precedente de alguém que tenha sido preso por crime eleitoral fora de flagrante e muito menos por condenação. A práxis é a perda de mandato do beneficiário do suposto ilícito e a inelegibilidade por oito anos. E a forma, colocá-lo em um presídio para criminosos como traficantes e afins, teria sublimado a intenção de humilhar.

    Os políticos (de todos os lados) avaliam que a representação está tão desmoralizada, tão avacalhada, que chegou-se a esse ponto.

    Convenhamos, os políticos bem que deram e dão motivos.

    É o caso do projeto de lei, em discussão, que anistia o caixa 2. Nada contra se discutir e debater o assunto, mas não por quem cometeu os crimes. Estão querendo instituir o autoperdão.

    É aí que o descrédito na representação política generaliza-se. Até Sérgio Cabral, com evidentes sinais de enriquecimento ilícito, cheio de joias caras e mansões de luxo sem justificar de onde tirou, se diz inocente.

    E também a lei da imunidade que virou impunidade. A Justiça deveria tomar os cuidados de não embolar alhos com bugalhos porque acaba dando nisso, Garotinho e Cabral, ambos presos em Bangu, mas no primeiro caso um flagrante exagero, fica igual a um corrupto. Vira desserviço.

    Todavia, vendo políticos suspeitos suspeitíssimos querer legislar em causa dizer o quê? A parafernália se instalou.

    Fica como dizia o velho Stanislaw Ponte Preta: “Ou restaure-se a moralidade ou locupletemos-nos todos”.

    Está dando o locupletemos-nos.