Geddel no topo das conversas, entrando pela porta dos fundos

    Quem perde e quem ganha? O consenso é de que politicamente ele está fora do mapa. De saída, ACM Neto sofre uma baixa. Mas não se sabe até que ponto

    Frase da vez

    “Quem não evita as pequenas faltas pouco a pouco cai nas grandes”
    Thomas de Kempis, monte e escritor alemão (1379 – 1471)

    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
    Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

     

    Geddel pautou as conversas do fim de semana para além do mundo político. Não tinha como não ser. Pela estatura política do personagem em apreço, pelo espanto da dinheirama e pelo impacto político que isso pode representar, dominaram as rodinhas, com o tempero do turbilhão de memes e vídeos turbinando as redes, sinal de que o caso virou piada nacional.

    Quem perde e quem ganha? O consenso é de que politicamente ele está fora do mapa. De saída, ACM Neto sofre uma baixa. Mas não se sabe até que ponto. Nem também o tempo que Geddel ficará na cadeia para forçar a pressão do delata, não delata, o que significará o estrago bem maior do que a mera implosão do PMDB baiano, com Temer e cia no bolo.

    Óbvio que a história de Geddel ainda está sendo escrita. Mas até este capítulo, ele está entrando para a história pela porta dos fundos.

    Preocupações federais – O senador Romero Jucá (PMDB-RR) já alastrava pelos corredores do Senado as suas preocupações. O medo dele: que a coisa acabe atingindo Temer.

    É possível? Sim, tanto porque Geddel foi ministro poderoso no início da era Temer como porque agora, em pleno inferno vivencial, caso sinta-se acuado pode delatar. Aliás, alguns dão isso como certo, o que quer dizer que a novela ainda vai se estender por muitos capítulos, como sempre, com lances de altos índices de audiência.

    Cá na Bahia, com todos ainda atarantados, não se sabe como o partido vai ficar.

    Os cinco deputados do partido na Assembleia se dividem entre os que querem esperar, os que defendem uma ação para tomar o partido e os que vão debandar, por achar que, tanto lá como cá, está tudo melado, cá com Geddel, lá com Jucá e cia.

    Rui sai de lado – Também em Belo Campo, onde reuniu 29 prefeitos para articular o consórcio de saúde, Rui Costa foi abordado pelo jornalista Anderson Oliveira, do Blog do Anderson, de Vitória da Conquista:

    — Governador, como é que o senhor viu aquela montanha de dinheiro?

    — (Risos) Eu prefiro me concentrar no trabalho e deixar que o Ministério Público e a polícia falem sobre isso.

    Arauto calado – O último arauto em defesa pública de Geddel era Herzem Gusmão (PMDB), prefeito de Vitória da Conquista.

    Mesmo com Geddel em prisão domiciliar, estrilava as benfeitorias do líder.

    Depois dos R$ 51 milhões, calou.