Frase da vez
“Se ser político é reclamar das injustiças, então eu sou político.”
Patativa do Assaré, poeta popular cearense (1909-2002)

Veja a ironia: pouco mais de uma semana atrás o ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, ganhou as mídias nacionais ao bradar que o TSE não é órgão do governo, não é lugar para resolver crises e sim tomar decisões jurídicas. Pensou-se que ele estava a dar um brado de independência. Qual o quê? No julgamento da chapa Dilma-Temer, em vez de dar aula jurídica, Gilmar fez um caudaloso discurso, para dizer que não se derruba um presidente da República assim.
Gilmar chegou a chamar o relatório do colega Herman Benjamin de falacioso. Ora meu Deus, o mesmo Gilmar que tudo fez para ajudar a derrubar Dilma falando isso? No caso de Dilma, o discurso era em nome da moral, e agora o da estabilidade nacional?
Não é de graça que só deu Gilmar nas redes sociais. Em uma piada, contam que um preso estava na delegacia acusado de ter roubado o porco do vizinho. Perguntou qual era a prova, era o fato de o vizinho ter visto ele entrando no chiqueiro.
O preso argumentou que o vizinho viu ele entrar, mas não viu sair. Portanto, não é prova. Recebe um tapão do policial que brada:
— Você está pensando que está no TSE?
Em outra, em um cartum, um passarinho na gaiola recebe a visita de um colega livre que lhe pergunta:
— Você já tentou o Gilmar Mendes?
Gilmar merece.
Visão de magistrado
De um magistrado, que já rodou pelo interior baiano, e agora está em Salvador, sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer:
— O Herman Benjamin cresceu muito no conceito da magistratura, para os que não o conheciam. O de Gilmar Mendes não caiu porque não tem mais para onde.
Cenários funestos
Outra ironia. Quem fez a denúncia de crime eleitoral contra a chapa Dilma-Temer foi o PSDB, hoje principal aliado de Temer. Óbvio que mirou Dilma, Lula, o PT e Cia. E acabou acertando no amigo.
Mais: no envolvimento com Temer, o PSDB desnudou o lado podre do tucanato, levando para o limbo o senador Aécio Neves, que em 2014 disputou o segundo turno com Dilma.
Uma olhada no retrospecto dos fatos envolvendo as duas bandas e o que disseram um do outro produz uma sensação funesta: a de que tínhamos uma quadrilha no poder com outra fazendo oposição.
Esse cenário produz outro também funesto com a absolvição de Temer por Gilmar Mendes: a grande maioria dos políticos gostou.
Os governistas declarados dizem que mudar agora seria pior para o país (na real eles se fortalecem no fisiologismo com o presidente com a honra maculada). E os oposicionistas (em boa parte) porque ganham um discurso poderoso, o grito nas ruas do “Fora Temer”(embora achem melhor o Fica Temer, para deixá-lo sangrando e com isso reabilitar as chances de vitória em 2018).
Em síntese, a falta de vergonha está institucionalizada.

