Governadores querem apaziguar os ânimos. Mas como, se Bolsonaro não deixa?

    Entre eles há o consenso: aí não é “um problema”, é “o problema”, que se chama Bolsonaro

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

     

    Bolsonaro se elegeu em 2018 com apoio no segundo turno de 15 dos 20 governadores (DF incluso). Só tem cinco hoje. Em dois dos estados mais importantes, o pior. Wilson Witzel, do Rio, caiu em desgraça. Mal governou, foi afastado. E João Dória, de São Paulo, está no mandato, mas muito mal nas pesquisas. Quer ser presidente, mas sabe-se lá se consegue a reeleição.

    E eis que a investida de Bolsonaro pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, forçou o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), coordenador do Fórum de Governadores, a antecipar para ontem a reunião que seria no fim de semana. Objetivo: apagar o incêndio. Resultado: nenhum.

    Pacto

    Os governadores se dividiram entre os que queriam emitir uma nota em defesa da democracia e os que gostariam de ter uma conversa frente a frente com Bolsonaro, o que prevaleceu. Eles querem fazer o Pacto pela Democracia, como fizeram o Pacto pela Vida na pandemia de Covid. Eis a questão: E Bolsonaro topa?

    Dos 27 governadores, 17 vão tentar a reeleição; outros dez, entre eles Rui Costa, vão tentar eleger sucessores numa circunstância em que ainda brigam contra a pandemia e os seus tentáculos maléficos. Querem tranquilidade democrática para tocar a vida, mas entre eles há o consenso: aí não é “um problema”, é “o problema”, que se chama Bolsonaro.

    Seja como for, ficou de boa os governadores fazerem coro com todo o sistema institucionalizado do país em defesa da democracia. Como dizia o inglês Winston Churchil, a democracia é o pior dos regimes, mas não há nenhum melhor que ela.