Governo Lula tenta barrar nos EUA classificação de facções como organizações terroristas

    Planalto teme impactos na soberania nacional

    Foto: Ricardo Stuckert

    O governo brasileiro tenta convencer os Estados Unidos a ampliar a cooperação policial e de inteligência no combate ao crime organizado entre os dois países. A movimentação é uma tentativa de evitar que a gestão de Donald Trump classifique as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. As informações são do jornal O Globo. 

    De acordo com a publicação, o governo brasileiro avalia que classificar as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pode interferir negativamente na soberania nacional e na atuação bilateral em segurança.

    O assunto deve ser discutido no encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Trump, ainda sem data definida, nos EUA. 

    O objetivo do governo brasileiro é intensificar o combate à  lavagem de dinheiro e rastreamento de fluxos financeiros, além de manter o controle nacional sobre instrumentos de repressão e inteligência. 

    Para o Palácio do Planalto, classificar facções como grupos terroristas poderia gerar sanções adicionais e impactos jurídicos e econômicos de alcance extraterritorial, mesmo sem vínculo direto com atividades ilícitas.

    No Brasil, facções como PCC e Comando Vermelho são classificadas juridicamente como organizações criminosas. Isso porque a legislação brasileira classifica terrorismo como atos motivados por razões ideológicas, religiosas ou políticas. Já o foco da maioria dessas facções é econômico, com atividades relacionadas ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.