Governo quer adiar votação de denúncia contra Temer para setembro

    A intenção é reunir quórum suficiente para livrar o presidente do processo por corrupção passiva e tentar emendar com nova denúncia por vir

    Foto: Carolina Antunes/ PR

    A votação na Câmara dos Deputados sobre a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer pode ficar apenas para setembro, já que o próprio presidente não está encontrando facilidade na mobilização de quórum a favor e já admite o longo adiamento.

    Contas de líderes governistas indicam que Temer tem pouco mais de 250 deputados a seu favor –bem menos do que os 342 necessários para que a base aliada consiga sozinha o quórum para começar a deliberar sobre o caso.

    Pelas regras, se o Planalto conseguir 172 votos, a denúncia é barrada, mas a votação só é válida se 342 parlamentares registrarem presença na sessão.

    Separados, nem a base aliada nem a oposição terão condições de atingir esse número no plenário. O impasse, reconhecem governistas, pode inviabilizar a votação da denúncia no retorno do recesso parlamentar, em 2 de agosto, e empurrá-la para o mês seguinte.

    A intenção é aproveitar esse cenário aparentemente desfavorável para aguardar uma provável nova denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o peemedebista, desta vez por obstrução judicial, e votá-la na mesma sessão.

    A expectativa é de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente a nova acusação até o fim de agosto, já que ele deixará o cargo em setembro. Para o governo, uma votação simultânea das duas denúncias reduz as chances de derrota.