Guerra entre táxis e aplicativos deixa Geraldo Jr. perplexo: ‘Os dois perdem’

    "É a tarefa mais difícil da minha vida. Gostaria de contemplar a todos, mas não dá"

    Foto: Reginaldo Ipê/CMS
    Foto: Reginaldo Ipê/CMS

     

    Presidente da Câmara de Salvador e vereador no terceiro mandato, Geraldo Júnior (SD), 50 anos, diz que vive um dos momentos mais difíceis de sua carreira. O dilema dele: encontrar (esta semana) uma solução que contemple as duas partes no projeto que regulamenta o uso de aplicativos como o Uber, em Salvador.

    Missão impossível, óbvio. Até 2010, quando o Uber ainda engatinhava nos EUA, Salvador tinha 7.500 táxis, uma cota fixa, para atender aos seus quase três milhões de habitantes. Hoje, os tais enfrentam a concorrência de 50 mil motoristas do Uber e outros aplicativos.

    Novos tempos

    Como deixar as partes satisfeitas com tanta concorrência para o mesmo bolo?

    – Eu já recebi em meu gabinete taxistas chorando. E também motoristas do Uber lamentando uma montanha de dificuldades. É a tarefa mais difícil da minha vida. Gostaria de contemplar a todos, mas não dá.

    Com a pressão dos taxistas contra, e a dos aplicativos a favor, a regulamentação vai sair. Disso resulta que donos de táxis como antigamente, que sustentavam a família e formavam os filhos envelhecendo no ofício, são espécie em extinção, como outras profissões, a exemplo de alfaiate e sapateiro.

    Fica a chiada. O Uber, por exemplo, é norte-americano, e leva para os EUA uma fatia da grana daqui sem bater um prego, ao contrário dos táxis, que são municipais. O pior: só resta o direito ao jus sperniandi.