Publicado em 19/06/2026 às 14h20.

Haddad comenta operação contra Jaques Wagner e cobra rigor legal

A declaração foi feita nesta sexta-feira (19)

Luana Neiva
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, comentou nesta sexta-feira (19) a investigação que envolve o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes ligadas ao Banco Master.

De acordo com os investigadores, Wagner e familiares teriam recebido vantagens indevidas por intermédio de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro na instituição financeira. Em contrapartida, o senador teria favorecido interesses relacionados a projetos em tramitação no Senado.

Durante entrevista ao podcast Kritikê, Haddad afirmou que qualquer eventual irregularidade deve ser tratada dentro da lei, independentemente de relações pessoais ou posicionamentos políticos.

“Essa questão da questão ética na política, o que você tem que defender? Você tem que defender o seguinte: a lei tem que ser aplicada independentemente de torcida. Eu não posso, eu torço para a justiça ser feita, né? Eu vou lamentar se uma pessoa próxima a mim errou. Vou lamentar porque é uma pessoa que eu conhecia e tudo mais, mas eu não posso desejar, até pro bem da sociedade, que a lei não seja aplicada”, declarou.

Haddad também destacou a autonomia da Polícia Federal para conduzir investigações envolvendo agentes públicos de diferentes correntes políticas. Segundo ele, a independência da corporação é uma característica do atual governo.

Ao abordar o tema, o ministro comparou a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação à Polícia Federal.

“Parabéns, presidente Lula, porque no seu governo as instituições funcionam. O senhor não tá trocando o superintendente da Polícia Federal para proteger seu filho, como fez o Bolsonaro. Bolsonaro mudou. O Bolsonaro chegou a falar: ‘Se tiver que mudar o ministro da Justiça, eu mudo o ministro'”, afirmou Haddad.

O caso Banco Master

Operação Compliance Zero foi iniciada em 2025 para apurar suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção, manipulação de mercado e organização criminosa envolvendo o Banco Master. A PF sustenta que o grupo liderado por Daniel Vorcaro teria movimentado bilhões de reais por meio de operações financeiras sem lastro adequado e mecanismos para ocultação de patrimônio. As investigações já resultaram em dezenas de mandados, prisões e bloqueios bilionários de bens.

A nova fase reforça a estratégia dos investigadores de avançar sobre a suposta rede de influência política construída em torno do banco. A PF busca esclarecer se agentes públicos ou pessoas com acesso ao poder atuaram para favorecer interesses do grupo investigado ou interferir no andamento das apurações.

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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