Publicado em 24/07/2026 às 16h16.

Hilton Coelho aposta em tradição de resistência da Bahia para superar campanhas milionárias

Parlamentar sustenta que a independência do PSOL é uma necessidade política

Otávio Queiroz / André Souza
Foto: André Souza/bahia.ba

 

Em meio à polarização entre o grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) afirmou que a pré-candidatura de Ronaldo Mansur (PSOL) ao Governo da Bahia se consolidará ao apresentar um projeto alternativo para o estado.

Durante a convenção da sigla, o parlamentar sustentou que a independência do PSOL não é um “devaneio ou exercício de vaidade”, mas uma necessidade política para denunciar convergências entre governistas e oposicionistas em pautas centrais, como a gestão da saúde pública.

Ao criticar o modelo atual de regulação de vagas no estado, Hilton Coelho apontou que tanto a gestão estadual quanto a oposição caminham para a privatização do sistema, defendendo o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de concursos públicos e investimentos em saneamento básico.

“Enquanto nós não tivermos um fortalecimento do SUS de verdade na Bahia, nós vamos ter a regulação da morte. E nisso eles não divergem, porque o caminho da privatização do SUS é um caminho que, infelizmente, está sendo trilhado pelos dois”, criticou o deputado.

“A cada real investido em saneamento básico, a gente poderia estar economizando quatro para redirecionar para a saúde. O investimento no SUS é viável e nós vamos mostrar isso programaticamente”.

Sem vaidades

Para demonstrar o papel de resistência que atribui ao PSOL no cenário baiano, Hilton Coelho relembrou a atuação solitária do partido na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) contra o que classificou como “ilegalidade” na condução da presidência da Casa.

“Na Assembleia Legislativa, nós precisamos garantir que se tenha um grande debate político. Mas como é que se faz isso com uma presidência ilegal?”, questionou. “Infelizmente, o PSOL figurou sozinho contra os outros 62 deputados, contra a justiça baiana e contra o posicionamento do governador Jerônimo. Nós tivemos que derrubar a recondução no STF. São questões como essa que dão lastro à nossa candidatura. Não é um exercício de vaidade, é uma necessidade política de representar a resistência.”

Mobilização popular

Questionado sobre como o PSOL e a Rede Sustentabilidade pretendem encarar campanhas de alto poder aquisitivo no estado, o parlamentar rechaçou a busca por atalhos eleitorais e apostou na capacidade de engajamento da militância, resgatando a tradição histórica de lutas populares da Bahia para projetar uma grande mobilização social.

“O PSOL e a Rede Sustentabilidade não querem ganhar eleição de maneira fácil. Nós queremos convencer a população de que é preciso transformar a campanha numa grande mobilização social”, defendeu Hilton Coelho. “Nós acreditamos sempre que o povo da Bahia é um povo de resistência. A Bahia tem toda uma trajetória de coragem, de afirmação de projetos alternativos, desde a Revolta dos Búzios até Carlos Marighella”.

O deputado concluiu demonstrando confiança na marca que a chapa majoritária deixará no processo eleitoral de 2026. “Nós acreditamos que vai ter um momento em que vamos criar uma grande sintonia para fazer uma campanha de mobilização. Não tenho nenhuma dúvida de que o companheiro Ronaldo Mansur, a companheira Mary Reis e Daliana vão fazer história neste pleito”, finalizou.

Otávio Queiroz
Soteropolitano com experiência em comunicação e mídias digitais, incluindo rádio, revistas, sites e assessoria de imprensa. Aqui, eu falo sobre Justiça.

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