Hilton Coelho manifesta apoio a comunidades tradicionais de Itaparica

    Deputado apoia manifestantes que realizaram protesto na segunda (1º) contra projeto imobiliário e construção da ponte Salvador-Itaparica; entenda o caso

    O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) protocolou na Assembleia Legislativa da Bahia moção de solidariedade ao Terreiro Tuntun Olukotun e às comunidades de Itaparica. Segundo o parlamentar, é um “grave ataque” a possível instalação de um empreendimento habitacional em área considerada patrimônio cultural e religioso do Estado.

    “O povo de santo e a população de Itaparica vêm denunciando as ameaças impostas pela especulação imobiliária e pela possibilidade de construção de um empreendimento em território sagrado. Trata-se de um atentado aos direitos populares, à memória do nosso povo e ao patrimônio histórico e religioso do Brasil e da Bahia”, afirma o deputado.

    Hilton defendeu o “urgente cumprimento” do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa (Lei nº 13.182/2014), com a garantia dos direitos territoriais e culturais das comunidades tradicionais, além da abertura de diálogo com os povos tradicionais. “Não aceitaremos que a lógica predatória do capital destrua espaços ancestrais, comunitários e ambientais”, concluiu o deputado.

    Entenda o caso

    Na segunda-feira (1º), cerca de 130 manifestantes realizaram protesto interditando parte da BA-001, que dá acesso às comunidades do Quilombo do Barro Branco e da Bela Vista. O protesto teve a presença de representantes de terreiros de candomblé, movimentos sociais e moradores da Ilha de Itaparica. 

    Lideranças dizem que a construção da ponte Salvador-Itaparica vem intensificando a especulação imobiliária na ilha. Os manifestantes são contra um projeto que, segundo eles, pretende construir unidades do programa Minha Casa, Minha Vida em áreas consideradas sagradas pelos povos tradicionais. 

    Eles afirmam que a construção atingiria terreiros da ilha, principalmente o Tuntun Olukotun, fundado em 1850. O terreiro é reconhecido como patrimônio cultural material da Bahia e está em processo de tombamento nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O Tuntum Olukotun  é a casa mais antiga de culto aos ancestrais Egúngún em atividade no Brasil.

    O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado e um inquérito civil público foi aberto ainda na segunda-feira (1º). O procurador Marcos André da Silva determinou que o Ministério das Cidades e o município de Itaparica esclareçam as alegações sobre o empreendimento do Minha Casa, Minha Vida na área do terreiro em até dez dias.

    Em vídeo publicado nas redes sociais, um manifestante protestou contra a ponte Salvador-Itaparica, pedindo a demarcação dos territórios e das áreas de preservação ambiental “para que a ponte não destrua tudo isso”. Ele alegou que a população do local é indígena e quilombola, mas falta o estado reconhecer.

    “Dessa placa pra lá não pode fazer nada sem falar com a gente. Daqui pra frente é território sagrado ancestral da Ilha de Itaparica, e não pode e não será invadido para construção de empreendimento nenhum”, disse o manifestante.

    Veja vídeo:

     

    Em nota, o Terreiro Tuntun Olukotun agradeceu o apoio da comunidade. Leia na íntegra:

    Nota de agradecimento

    O Terreiro Tuntun Olukotun vem, por meio desta, expressar sua mais profunda gratidão a todos os irmãos, amigos, instituições e comunidades que têm se colocado ao nosso lado neste momento de ataque e ameaça que estamos sofrendo.

    O apoio recebido fortalece nossa luta e reafirma que não estamos sozinhos na defesa do nosso território sagrado, espaço de memória ancestral, cultura e resistência que atravessa gerações. Cada palavra de solidariedade, cada gesto de união e cada demonstração de respeito ecoa em nossa casa como força espiritual e coletiva.

    Reafirmamos que não aceitaremos nenhum tipo de invasão, desrespeito ou violência contra o nosso povo e contra a nossa tradição. Seguiremos firmes, amparados pelos nossos ancestrais e pela rede de apoio que se ergue em torno da preservação da nossa história.

    Com fé, dignidade e resistência, seguimos juntos.

    Ilha de Itaparica, 31 de agosto de 2025.