Honras e pompas para o naufrágio proposital do ferry do Agenor Gordilho

    É mais ou menos um recado para o mundo, tipo: 'Vem que aqui também tem'

    Foto: Antonio Saturnino/Correio
    Foto: Antonio Saturnino/Correio

     

    Após 16 anos como fiel escudeiro de Bell Marques, estrela top do axé music, ninguém duvida que Fausto Franco, secretário de Turismo da Bahia, entende de festas.

    Assim o é que ele está preparando uma das boas, com honras e pompas para o naufrágio proposital do ferryboat Agenor Gordilho, na Baía de Todos Santos, nas imediações da Vitória, a uma profundidade de 33 metros.

    — Vai ser coisa de uma hora e meia. Mas queremos que o Brasil e o mundo vejam.

    Caso único

    Tem a ver. Fausto está sabendo surfar bem numa ideia parida pelo antecessor, José Alves, naufragar navios para atrair o turismo de mergulho, uma prática já difundida noutros pontos do planeta. É mais ou menos um recado para o mundo, tipo: ‘Vem que aqui também tem’.

    Claro que é um naufrágio ligth. O Mapa de Naufrágios da BTS, elaborado por pesquisadores do Observatório de Riscos e Vulnerabilidade Socioambientais da Baía de Todos os Santos, da UFBA, contabiliza 18 naufrágios, todos com ares trágicos.

    O Agenor, que vai ficar ao lado de uma balsa (a ser naufragada junto), não. Foram retirado fios, motores, apetrechos de amianto, tudo o que possa oferecer riscos ao meio ambiente e aos mergulhadores, trabalho feito pela empresa Engesub Serviços Subaquáticos Eireli.

    Com mais de 40 anos de uso, o destino do Agenor, um túmulo visitado na BTS, é mais honroso que o do ferry Gal Costa. Acabou cortado em pedaços para ser derretido.