Publicado em 05/06/2026 às 12h33.

IBJR defende foco no combate às bets ilegais em resposta ao ‘Block no Tigrinho’

Instituto critica restrições direcionadas às empresas regulamentadas pelo Governo Federal

João Lucas Dantas
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

 

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) se manifestou sobre a campanha “Block do Tigrinho”, lançada por artistas como Gilberto Gil, Djavan, Caetano Veloso, Chico Buarque, Marieta Severo, Camila Pitanga e Luisa Arraes, que alerta para os impactos sociais das apostas esportivas e jogos de azar online no Brasil.

Em nota, o instituto afirmou acompanhar a mobilização promovida pela 342 Artes, mas defendeu que os esforços da campanha deveriam ser direcionados principalmente ao combate das plataformas clandestinas de apostas, consideradas pelo IBJR como o principal foco do chamado “jogo predatório”.

Segundo o instituto, as empresas autorizadas pelo Governo Federal, identificadas pelo domínio “.bet.br”, operam sob regras rígidas de fiscalização e proteção ao consumidor, incluindo mecanismos de reconhecimento facial, controle de depósitos, limites de tempo de jogo e ferramentas de autoexclusão.

O IBJR argumenta ainda que o mercado ilegal movimenta cerca de R$ 40 bilhões por ano fora do alcance das autoridades e representa prejuízos bilionários aos cofres públicos. Para a entidade, restrições excessivas à publicidade das plataformas regulamentadas podem acabar fortalecendo justamente os operadores clandestinos, que atuam sem fiscalização e sem oferecer garantias aos apostadores.

A campanha “Block do Tigrinho” reúne artistas, atores e influenciadores em defesa de regras mais rígidas para o setor de apostas. No vídeo divulgado nas redes sociais, os participantes afirmam que as bets se tornaram um problema de saúde pública, associado ao endividamento, vício e sofrimento de milhares de famílias brasileiras.

O IBJR declarou permanecer à disposição dos organizadores da campanha para contribuir tecnicamente com o debate sobre a regulamentação das apostas no país e reforçou seu posicionamento em defesa de um ambiente de apostas “seguro, transparente e responsável”.

Confira nota do Instituto na íntegra:

Para o IBJR, campanha “Block no Tigrinho” deveria ser direcionada às bets clandestinas

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acompanha a mobilização de artistas e da sociedade no movimento “Block no Tigrinho” e considera que a campanha deveria concentrar seus esforços no combate às plataformas clandestinas, onde estão os maiores riscos para os consumidores e a principal fonte de financiamento de organizações criminosas. Quem pretende combater o jogo predatório no Brasil deveria direcionar suas críticas e esforços às operações ilegais, e não às empresas fiscalizadas e autorizadas pelo Governo Federal.

Os organizadores afirmam buscar mecanismos para combater o chamado “jogo predatório” no Brasil. Esse fenômeno ocorre justamente no mercado ilegal, formado por operadores que atuam à margem da regulamentação, sem controles, sem fiscalização e sem qualquer compromisso com a proteção dos consumidores.

As operadoras autorizadas pelo Governo Federal, identificadas pelo domínio .bet.br, estão sujeitas a rígidas exigências regulatórias. Entre elas estão a proibição de pagamentos por cartão de crédito e criptomoedas, processos obrigatórios de identificação e reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, limites de tempo de jogo, controle de depósitos e mecanismos de prevenção ao jogo problemático. A regulamentação é hoje o principal instrumento de proteção da saúde financeira e mental dos apostadores brasileiros.

Enquanto isso, as plataformas clandestinas movimentam aproximadamente R$ 40 bilhões por ano fora do alcance das autoridades e geram perdas estimadas em R$ 10,8 bilhões anuais aos cofres públicos, segundo levantamento do Instituto Locomotiva e da LCA Consultoria. Em contraste, apenas em 2025 o mercado regulado contribuiu com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais, beneficiando áreas como esporte, turismo, segurança pública e educação.

Em relação à publicidade, o IBJR ressalta que as restrições devem ser direcionadas ao mercado ilegal. São justamente as plataformas clandestinas que utilizam influenciadores e canais digitais sem qualquer controle para atrair consumidores, muitas vezes sem informar riscos ou oferecer mecanismos de proteção. A comunicação das empresas autorizadas segue regras específicas e cumpre papel importante ao permitir que o consumidor identifique operadores licenciados e diferenciá-los daqueles que atuam ilegalmente.

Restrições excessivas à publicidade das empresas reguladas tendem a produzir efeito contrário ao desejado: enfraquecem os operadores autorizados e ampliam a visibilidade de plataformas clandestinas que não seguem regras, não pagam tributos e não oferecem qualquer garantia ao apostador.

O IBJR permanece à disposição dos organizadores do movimento para contribuir tecnicamente com o debate e esclarecer informações que possam gerar confusão entre mercado regulado e mercado ilegal. O Instituto reafirma seu compromisso com um ambiente de apostas seguro, transparente, responsável e alinhado às melhores práticas internacionais de proteção ao consumidor.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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