Senador pede investigação sobre vazamento de foto polêmica em piscina com políticos
Imagem teria sido registrada em abril de 2023 e publicada inicialmente pela revista "Piauí"

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que sejam adotadas providências para investigar o vazamento de dados extraídos de seu celular, apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Sem Desconto, em dezembro de 2025.
O requerimento foi encaminhado à Mesa Diretora do Senado no sábado (8), após a divulgação de uma fotografia que mostra Weverton e outros parlamentares em uma piscina na propriedade do advogado e empresário Willer Tomaz, em Brasília. A imagem teria sido registrada em abril de 2023 e publicada inicialmente pela revista “Piauí”.
Senador questiona divulgação de imagens
No documento, Weverton afirma que a divulgação da fotografia expôs parlamentares de diferentes partidos que, segundo ele, não são investigados no caso.
Além do senador, aparecem na imagem o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), os deputados Elmar Nascimento (União-BA), Paulo Azi (União-BA), Juscelino Filho (PSDB-MA), ex-ministro das Comunicações do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alexandre Ramagem (PL) e o senador Ângelo Coronel (PSD-BA).
Weverton afirma que, desde a apreensão do aparelho, mensagens, fotografias e informações de caráter pessoal vêm sendo divulgadas. Segundo o senador, parte desse material não teria relação com o objeto da investigação e envolveria pessoas que não são alvo do inquérito.
Para Weverton, a divulgação de informações protegidas por segredo de Justiça pode violar direitos relacionados à intimidade, à vida privada, ao sigilo dos autos e à presunção de inocência. Ele afirma ainda que o repasse das informações poderia, em tese, caracterizar crime de violação de sigilo funcional.
“A seletividade com que os elementos são liberados, sempre de modo a maximizar a repercussão, não raro antes de qualquer contraditório, demonstra não se tratar de mero incidente, mas de prática que compromete a lisura da investigação e a dignidade das instituições”, argumenta Weverton no pedido.
O senador acrescenta que “a defesa da intimidade dos parlamentares e da higidez do segredo de justiça é, também, defesa da independência e do decoro do Poder Legislativo, competindo a esta Casa atuar em sua salvaguarda”.
Coronel diz que não sabia de investigações
Angelo Coronel afirmou que não tinha conhecimento de eventuais investigações envolvendo participantes da confraternização e disse estar tranquilo em relação à fotografia.
A declaração ocorreu após a imprensa questioná-lo sobre a imagem obtida pela revista “Piauí” e identificada pela Polícia Federal durante a investigação envolvendo Weverton Rocha, alvo de uma nova fase da Operação Sem Desconto.
Questionado especificamente sobre a presença de Weverton na fotografia, Coronel afirmou que não seria possível exigir informações sobre antecedentes ou eventuais investigações antes de participar de uma confraternização.
“Ninguém vai para o evento pedindo a ficha policial, [não] tem folha corrida de ninguém. Senão ninguém andava nessa Bahia, nem nesse Brasil”, declarou.
O senador também disse estar com a “cabeça tranquila” e afirmou que pode apresentar outros registros do encontro, inclusive fotografias em que aparece acompanhado de familiares.
“Eu estou com minha cabeça tranquila e, se precisarem de outras fotos, até com a esposa, todo mundo reunido”, afirmou.
Segundo Coronel, o encontro reunia pessoas de diferentes partidos e tinha caráter de confraternização.
“Graças a Deus, é um grupo excelente, um grupo de amigos, independente de partido”, completou.
Pedido envolve STF, PGR e Polícia Federal
No requerimento encaminhado a Alcolumbre, Weverton solicita que a Advocacia do Senado acione o ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Corregedoria-Geral da Polícia Federal para apurar a origem dos vazamentos.
O senador também pede que sejam identificados e responsabilizados eventuais envolvidos na extração e divulgação do material.
Outro pedido é pela preservação dos registros que possam indicar quem acessou, extraiu, copiou ou compartilhou os dados. A medida, segundo o parlamentar, deve abranger inclusive o compartilhamento por aplicativos de mensagens e com assessorias de comunicação.
Weverton também quer que o Senado solicite ao Ministério da Justiça e Segurança Pública informações sobre as providências adotadas para investigar os vazamentos e impedir novas divulgações.
O senador pede ainda esclarecimentos sobre os responsáveis pela custódia do material e pela comunicação relacionada às diligências realizadas no âmbito da investigação.
Caso deve chegar à Corregedoria do Senado
O parlamentar quer que o episódio seja encaminhado à comissão competente e à Corregedoria/Ouvidoria do Senado. A intenção é avaliar medidas relacionadas às prerrogativas parlamentares e à proteção da intimidade dos congressistas que, segundo Weverton, teriam sido expostos de forma indevida.
Weverton é investigado no inquérito que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação também avançou sobre suspeitas de um esquema de lavagem de dinheiro.
Na semana passada, Willer Tomaz e familiares foram alvo de mandados de busca e apreensão. A PF investiga possíveis vínculos entre o empresário e o senador.
Empresário contesta divulgação da foto
Em nota, Willer Tomaz repudiou a divulgação da fotografia, registrada em 2023 durante um evento particular em sua propriedade e que, segundo ele, foi extraída do celular do senador.
Tomaz afirmou que a imagem não tem relação com sua atividade profissional nem com os fatos investigados. O empresário também declarou que não é investigado por fraudes previdenciárias no inquérito que apura desvios de recursos do INSS.
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