Publicado em 23/08/2016 às 08h46.

Ibope em Salvador disse o óbvio. Se algo mudar, é na campanha

Agora vem Neto, no primeiro Ibope de 2016, com 68% contra 8% de Alice, 6% de Isidório e mais 2% dos demais

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“Meu partido é o da endireita. Endireitou, eu voto”

Carlinhos Brown, compositor, cantor e ícone do axé music baiano

Neto, no primeiro Ibope de 2016, com 68% (Foto: Valter Pontes/Agecom).
Neto, no primeiro Ibope de 2016, com 68% (Foto: Valter Pontes/Agecom).

 

Pesquisas eleitorais em início de campanha só têm uma serventia: traçar o painel da largada. A literatura é farta em exemplos de candidatos que começam lá embaixo e acabam na frente. O exemplo mais retumbante que nós temos é caseiro, o de Rui Costa em 2014.

Aliás, em 27 de agosto de 2014, o mesmo período de agora, o Ibope se deu ao luxo, digamos assim, de excluir Rui Costa, que apareceu com 8% contra 42% de Paulo Souto, das simulações de segundo turno, por entender que ele, com menos de 10%, não tinha chance. Se burrice não foi, não é crível, foi maldade.

Agora vem Neto, no primeiro Ibope de 2016, com 68% contra 8% de Alice, 6% de Isidório e mais 2% dos demais, um total de 16% contra.

Também é óbvio que os cenários são bastante diferentes.

Em 2014, Rui tinha como âncoras Dilma, candidata a presidente, que nunca teve menos de 63% na Bahia. E Jaques Wagner, governador, nunca menos de 54% de bom, ótimo e regular.

Hoje, o papo é outro. Além de prefeito bem avaliado, Neto ainda contou com contribuições que vieram gratuitas.

Uma delas está nas próprias regras eleitorais, que encurtou o tempo de campanha. Quem é mais conhecido, só tem a ganhar (e ele já nasceu com o nome feito, tem a grife). E também as indefinições na escolha do principal candidato governista que resultaram em Alice Portugal e Maria Del Carmem, duas que, se muito, satisfazem o campo da esquerda, mas de aceno popular limitado.

Seja como for, depois de amanhã começa o horário eleitoral. Como ele tem 40% do tempo contra 60% dos demais, a tendência é que perca gordura. Resta saber até que ponto.

Célia, o incômodo

Curioso: na pré-campanha em Salvador, quem mais incomodou ACM Neto foi a vice dele, Célia Sacramento, agora também candidata.

Não por voto, que ela não tem. Sequer chegou a pontuar. Mas ela insinuou que há obras superfaturadas e criticou até o crescimento do patrimônio de Neto.

Os aliados do prefeito dizem que, enquanto ela estava no bem-bom, não via nada disso.

Surpresa escolar

Rui Costa festejou nas redes sociais: em 20 meses de governo, visitou 200 escolas, média de 10 por mês, que ele pretende manter.

Aos que lhe rodeiam, diz que no seu périplo encontrou surpresas desagradáveis e agradáveis. Numa das ruins, a diretora disse que o problema principal era segurança:

— Deixe a segurança com o prefeito. Vamos falar das coisas da escola.

— É para a escola mesmo. Aqui temos alunos que vêm estudar armados…

No lado bom, as excelentes escolas. Uma delas, em Santa Inês. Nome: Colégio Estadual Antonio Carlos Magalhães. Bela surpresa, não?

Candidatos aos montes

O TSE ainda faz ajustes no DivulgaCand 2016, o registro oficial de candidaturas, mas já deu alguns números sobre a Bahia.

Nos 417 municípios baianos, teremos 2.229 candidatos a prefeito com igual número de vices. Dizem que este ano a campanha é mais difícil pela falta de financiamento privado, mas é quase o dobro de 2012, quando 1.198 disputaram a eleição.

Será que a crise inflacionou o embate?

Vereadores diminuem

Já na disputa pelas Câmaras, aconteceu algo atípico: o número de vagas subiu e o de candidatos caiu.

Em 2012, tínhamos 33.832 candidatos disputando 3.889 vagas. De lá para cá, algumas Câmaras aumentaram os seus quadros em 647, totalizando 4.536 vagas.

Surpreendentemente, o número dos que disputam a vereança é menor: 33.483 para 4.536 vagas. Ou seja, em 2012 eram 8,7 candidatos por vaga, agora 7,38.

Meia-volta

Historicamente avesso a avião, Lúcio Vieira Lima (PMDB) passou a adotar o meio de transporte depois que se elegeu deputado federal pela segunda vez, mas, às vezes, se arrepende na hora, como sábado, em Vitória da Conquista, quando tentou pousar, e – no aeroporto Otacílio Figueiredo – não tinha quem autorizasse o pouso. Deu meia-volta.

A Socicam, a empresa que opera o aeroporto, estabeleceu uma norma: só tem gente lá quando o voo é anunciado com antecedência. Por aí, conta com emergência zero.

Portas fechadas

O encontro que Lúcio teria com Herzém Gusmão, o candidato do PMDB lá, em público, acabou acontecendo ontem, em Salvador.

A portas fechadas, ressalte-se.

O acervo do Mosteiro

O Mosteiro de São Bento lança segunda-feira (29), às 15h, a sua Coleção de Livros do Tombo, nominada pelo Programa Memória do Mundo da Unesco como símbolo da riqueza e do valor histórico do primeiro mosteiro beneditino das Américas.

A coleção reúne documentos catalogados pelo Arquivo Histórico do Mosteiro de São Bento desde 1548, em seis volumes. Neles estão inscritos os bens imóveis (prédios e fazendas) e móveis (mobiliário, quadros e peças) adquiridos pelos monges da Bahia ao longo dos séculos.

Bolinha

Viu essa do candidato a vereador em Vargem Grande, São Paulo, preso tentando assaltar um banco em Pinheiros, na capital? Esse nem esperou a chance de roubar por baixo do pano.

Também, pudera, o nome dele é Bolinha.

E o PRB já tratou de expulsá-lo.

Só gengibre

Está bombando nas redes sociais:

No frigir dos ovos, o atentado terrorista na Olimpíada do Brasil se limitou mesmo às balas de gengibre. Que bom!

Esse pessoal, com sua fértil imaginação, não perde tempo.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.



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