Lula se reúne com primeiro-ministro da Índia e defende aproximação entre os países

    "É inaceitável que países do porte da Índia e do Brasil não ocupem assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU", disse o presidente

    Foto: Ricardo Stuckert/PR

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o primeiro-ministro da Índia, Narendra Damodardas Modi, no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (8), e defendeu a aproximação entre os países que, para o petista, são superlativos.

    “Foi uma enorme satisfação receber o primeiro-ministro Modi. Dois países superlativos como a Índia e o Brasil não podem permanecer distantes. A solidez das nossas democracias, a diversidade das nossas culturas e a pujança das nossas economias nos atraem”, publicou Lula no X, antigo Twitter.

    “Como membros do G20 e do BRICS, atuamos em defesa do multilateralismo e em prol de uma governança global mais inclusiva. É inaceitável que países do porte da Índia e do Brasil não ocupem assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU”, continuou o presidente.

    Lula também reforçou os desafios dos países na erradicação da fome e da pobreza e o enfrentamento à mudança do clima, no qual são aliados no combate. “Agradeci ao primeiro-ministro Modi a participação indiana na Aliança Global contra a Fome a Pobreza”, completou o líder brasileiro.

    Energia Limpa

    No mesmo post, Lula afirmou que Brasil e Índia podem ser os motores de um novo modelo de desenvolvimento baseado em energias limpas. “Já somos parceiros da Aliança Global para Biocombustíveis, lançada na presidência indiana do G20. A Índia é o mercado de bioenergia que mais cresce no mundo. O país estabeleceu como meta ampliar para 20% a mistura de etanol na gasolina e para 5% a proporção de biodiesel no óleo diesel”, seguiu o presidente.

    O pestita destacou a potencia do Brasil, que tem meio século de experiência com biocombustíveis e é pioneiro em motores flex. “Já adicionamos 30% de etanol à gasolina e 15% de biodiesel ao diesel. Convidei a Índia a se somar ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que vai remunerar países que preservam suas florestas”, escreveu.

    Desenvolvimento tecnológico e defesa

    Entre os assuntos abordados, Lula explicou que futuro da relação entre Brasil e Índia também terá debates nesses dois importantes pilares. “As políticas indianas de infraestruturas públicas digitais, baseadas em dados, códigos e modelos abertos, se contrapõem à dinâmica concentradora de empresas privadas”, indicou o petista.

    “Queremos criar com a Índia um centro de excelência para trazer esse potencial ao Brasil. Temos interesse em colaborar no desenvolvimento e na produção de vacinas e medicamentos, a fim de fortalecer o complexo industrial da saúde brasileiro”, avaliou Lula.

    O chefe do Executivo brasileiro elogiou o trabalho da Índia com as missões do país à Lua e declarou: “Índia firmou-se como exemplo de sucesso na exploração espacial. Tivemos o apoio indiano para o lançamento do Amazônia 1, o primeiro satélite projetado e operado inteiramente pelo Brasil”, disse.

    “Em um mundo cada vez mais polarizado, a busca por autonomia aproxima nossas políticas de defesa. Os três comandantes das Forças Armadas brasileiras visitaram a Índia desde o início do governo”, concluiu o presidente Lula.

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