Imprensa internacional: os corruptos deram as cartas

    New York Times: Dilma foi julgada no impeachment por políticos acusados de terem cometido crimes bem mais graves do que os a ela atribuídos

    Frase da vez

    “A corrupção, as medidas provisórias, o vazio do congresso, são o mosquito que contaminam a democracia”

    Cristovam Buarque, senador do DF

     

     

    Capa do The New York Times
    Capa do The New York Times

     

    A imprensa internacional, a começar pelo prestigiado The New York Times, dos EUA, apontou com precisão milimétrica: Dilma foi julgada no impeachment por políticos acusados de terem cometido crimes bem mais graves do que os a ela atribuídos.

    Começa por Eduardo Cunha, o presidente, que tem seis projetos no STF, todos oriundos da Lava Jato.

    Depois, dos 48 deputados federais que respondem a processos, grande parte da Lava Jato, 40 votaram sim.

    Tal prática é corrente no Brasil, alguém apontar o outro com os dedos sujos. O impeachment de Dilma prestou esse serviço à nação, o de desnudar amorais travestidos de moralistas.

    O caso da deputada mineira Raquel Muniz (PSB) é emblemático. A lamentar apenas que não tenhamos fatos como o impeachment para despertar o interesse público sempre.

     

    Ruy e Raquel Muniz (Foto reprodução Facebook)
    Ruy e Raquel Muniz (Foto reprodução Facebook)

     

    Raquel e o marido santo

    A deputada Raquel Muniz (PSB-MG), na hora de votar, carregou ao elogiar o marido, Ruy Muniz, prefeito de Montes Claros:

    — A corrupção que assola o nosso país é a ferrugem que impede o desenvolvimento. Não podemos mais permitir essa situação. Em Montes Claros, minha cidade natal, o prefeito Ruy Muniz, senhoras e senhores, criou a Secretaria de Prevenção à Corrupção. E lá, temos lutado para dar mais qualidade de vida aos montes-clarenses, para garantir dignidade à nossa gente. Isso é para dizer que o Brasil tem jeito. Por Montes Claros, por Minas Gerais, sim, sim, sim!.

    Ontem, a PF prendeu Ruy Muniz, acusado de corrupção com dinheiro da saúde.

    Mais corrupto

    Aliás, corruptos desse tipo deveriam ter pena em dobro. Ruy Muniz é acusado de boicotar os hospitais públicos para favorecer os hospitais particulares de parentes dele. Isso simplesmente mata gente.

    Para Raquel, tão estridente ao votar pelo impeachment de Dilma, o nome da operação diz tudo: máscara da sanidade.

    Palmas para ela. À PF, ressalte-se.

    Lídice, Otho, Pinheiro Montagem bahia.ba
    Lídice, Otho, Pinheiro Montagem bahia.ba

    Senado baiano

    Se a Bahia foi a bancada que mais deu votos contra o impeachment de Dilma (22 dos 39) na Câmara, no Senado a tendência é a mesma. Lídice da Matta (PSB) já disse que é contra. Otto Alencar (PSD) diz ostensivamente que vota contra, porque não vê crime de responsabilidade, e Walter Pinheiro (sem partido) foi citado por uma pesquisa do estado de São Paulo como indeciso, mas não gostou:

    — Indeciso uma ova. Eu tenho posição. Só não quero dizer.

    Pinheiro, Otto e Lídice costumam agir em conjunto.

    Vergonha perdida

    Aliás, comentando a votação do impeachment, Otto Alencar citou Eduardo Cunha para alertar sobre o baixo nível moral que impera no Congresso:

    — 23 deputados o chamaram de corrupto, ladrão ou de gângster. E ele só fazia rir. Se fosse sério, reagiria no ato.

    Agora bombeiro

    Antes, um dos mais ardorosos defensores do impeachmente, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB), aliado de Temer, agora é bombeiro.

    Votou sem discurso, apenas disse ‘sim’. E diz porque: ‘O momento é de reflexão’.

    Foto: Manu Dias/ GOVBA
    Foto: Manu Dias/ GOVBA

    Fieb pede pressa

    Ricardo Alban, presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), soltou nota sobre o impeachment de Dilma.

    Diz que agora vem novas etapas, com ritos e prazos; enquanto isso, o Brasil está paralisado, clamando por providências que façam a economia retomar os trilhos.

    Ele defende as reformas trabalhista, previdenciária e tributária já.

    Volta ao começo

    Fernando Collor, hoje senador, mas o primeiro presidente do Brasil a sofrer impeachment se filiou ao PTC, para a alegria de Ricardo Grey, o vice do partido, e vem a Salvador participar de encontro em maio.

    Curioso: o PTC é o antigo PRN, o partido de Collor quando ele foi deletado da presidência, em 1992.

    Epigrama do Negromonte

    O deputado Mário Negromonte Jr, do PP, um dos acusados da Lava Jato, abdicou do direito de votar no processo de impeachment de Dilma, alegando que estava se omitindo em respeito aos seus eleitores. O poeta Antonio Lins o brindou com um epigrama:

    Este deputado, formidando
    Milagre realizou:
    Na eleição, não votando,
    Foi o melhor que votou.

    O primo pobre

    Pesquisa da Associação dos Procuradores da Bahia (APEB) mostrou que, entre as carreiras essenciais à Justiça, os procuradores do estado aparecem com o menor número de profissionais.

    A PGE conta com 196 servidores para atender 14 milhões de baianos. a última do ranking.

    A PGE está atrás da Defensoria Pública, com 276, do Ministério Público, com 546, e da magistratura, com 552. Segundo o presidente da APEB, Roberto Figueiredo, dá um procurador para cada 70 mil pessoas, ‘o que é desumano’.

    Caminhada de São Jorge

    Nelson Rufino, Firmino de Itapuã, Ellen Pires do QG do Pagode, Tote Gira e outros artistas, arregimentados pelo radialista Dick Jones, participam sábado (10h) da II Caminhada de São Jorge, saindo da Passarela do Samba, ao lado do Plano Inclinado do Comércio.

    A Cavalaria da PM acompanha a caravana, que dá uma volta ali pelo Mercado Modelo e depois volta para a passarela do samba.

    Pedindo socorro

    Reinaugurado a dois anos, o trecho da BA-120, entre Gandu e Ibirataia, de 46 quilômetros, dá pena (por quem lá passa). É buraco de ponta a ponta.

    Os usuários dizem que o asfalto que botaram é do tipo sonrisal: choveu, derreteu.

     

    Asfalto Sonrisal Foto ilustrativa
    Asfalto Sonrisal Foto ilustrativa