Intransigência com a corrupção ensejou impeachment de Dilma, diz ex-ministro

    Advogado da petista à época do seu afastamento, José Eduardo Cardozo esteve em Salvador para debater documentário que aborda período do chamado "golpe"

    Foto: Moreira Mariz/ Agência Senado

    Não foram eventuais defeitos que Dilma Rousseff pudesse ter que ensejaram o impeachment. Foram mais as suas virtudes, a sua intransigência com a corrupção.

    A afirmação é do advogado e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que defendeu a petista durante o processo que culminou com o afastamento dela da Presidência, em agosto de 2016.

    Em entrevista ao programa “Coletiva”, da TV Câmara Salvador, Cardozo disse que, embora não soubesse o que estaria por vir, “o jogo [do impeachment] já estava jogado” desde o início, sob articulação do à época presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB) —atualmente, preso no Rio de Janeiro.

    “Desde que foi aprovado [o impeachment] na comissão de admissibilidade da Câmara, mesmo antes do plenário. Pela própria presença que o então presidente Eduardo Cunha tinha, comandando quase uma centena de deputados que, somados à oposição, nos tiravam a governabilidade, e ainda com o apoio de setores da mídia que claramente queriam o impeachment, então, a meu ver, a sorte já estava dada”, declarou o ex-ministro.

    “O importante era fazer uma defesa que pudesse mostrar, aos olhos da sociedade e da própria historia, que aquilo era efetivamente uma coisa infundada, que aquilo era um golpe camuflado de uma roupagem jurídica”, afirmou Cardoso.

    “A meu ver, não foram defeitos eventuais que Dilma Rousseff pudesse ter que ensejaram o impeachment. Foram mais as suas virtudes, a sua intransigência com a corrupção. A sua postura rígida em não aceitar que certas situações, sob o comando do Eduardo Cunha e sob setores vinculados a Eduardo Cunha pudessem permanecer”, disse.

    “Isso contribuiu muito mais para o impeachment do que eventuais defeitos que ela possa ter”, afirmou o ex-ministro, que esteve na quarta-feira (16) na capital baiana para debater o documentário “Democracia em Vertigem”, dirigido por Petra Costa, sobre o cenário político brasileiro atual, incluindo a ascensão e queda dos governos petistas.

    O evento, promovido pela Defensoria Pública da Bahia, ocorreu na Sala Walter da Silveira, nos Barris.